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rosas
innersmile
Gosto muito da paisagem da Beira Alta. Se dependesse de mim, não gostava. Tenho demasiadas memórias tristes, e não gosto do frio e da chuva e do vento. Mas, mesmo contra a minha vontade, não lhe resisto. Inflama-me a imaginação, ponho-me a inventar histórias. É, não sei se já o disse por aqui, o único lugar que desperta em mim o sentido na nação lusitana, do seu passado, da sua história. Claro, há outras zonas de Portugal que são muito bonitas, quase todas até mais bonitas do que a Beira Alta; mas a verdade é que passo por elas com olhos estrangeiros, ainda que consciente, e orgulhoso, de que são a minha pátria. Mas perante a paisagem da Beira Alta sinto-me seu filho, seu descendente. Sinto que lhe pertenço, que ela chegou até mim, um elo numa cadeia cronológica. Não sei se isto terá a ver com a herança paterna, mas é sobretudo uma questão de paisagem, de me poder reconhecer e projectar nos montes, nos outeiros, nas encostas, nas eiras, nas pedras, que parece nascerem do chão, nas árvores fortes como se não houvesse tempo, nos animais da cor das pedras.

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Tenho amigos e familiares que comemoram hoje o dia do seu aniversário. Dos que vão acompanhando o innersmile, a Margarida e o João, a quem dedico este post e estas fotos (eu sei que elas estão miseráveis e não se oferecem a ninguém, mas quand même…)

Não ligo muito a aniversários, esqueço-me dos anos de pessoas importantes, e só posso alegar em minha defesa que, como também não ligo aos meus anos, não levo nada a mal a quem também se esquece do meu aniversário. Mas nunca me esqueço de quem faz anos neste primeiro de outubro, por uma daquelas associações poderosas: todos os anos, neste dia, quando me lembro da data, penso de imediato na minha avó, que fazia anos hoje. Fez este ano, am abril, vinte anos que faleceu. E faz hoje cento e quatro anos que nasceu, em Lourenço Marques, Moçambique.