September 25th, 2013

rosas

nha fala

Fui ontem ver, na última das sessões ao ar livre deste ano, no museu do convento de santa clara-a-velha, o filme Nha Fala, do guineense Flora Gomes, de 2002. Trata-se de uma comédia musical que gira em torno de uma moça muito bonita, que vai embarcar para Paris para estudar, e a quem a mãe faz prometer que nunca irá cantar, pois o canto das mulheres traz azar para a família, e o filme dedica-se a desfazer, de forma alegre e surpreendente, esse mito.

Gostei bastante, achei o filme muito divertido, e com uma banda sonora irresistível, da autoria do grande Manu Dibango (tenho de desencantar o Wakafrica, no meio dos meus cds desarrumados, fiquei com saudades de ouvir o disco). A rodagem foi em Cabo Verde (por falta de condições na Guiná-Bissau) e de alguma maneira esse facto contamina o filme com uma certa leveza, com um colorido, e com uma energia especial.

O filme é dedicado à memória de Amílcar Cabral, e no entanto não se coíbe de brincar com a figura do pai da independência guineense e cabo-verdiana, transformando um busto de Cabral num dos principais elementos de comédia da narrativa, dado que se passa o filme todo com o busto de um lado para o outro à procura do melhor lugar para o colocar.

Curiosamente, assinalaram-se ontem mesmo, dia 24 de setembro, 40 anos da independência da Guiné-Bissau, que foi declarada unilateralmente pelo PAIGC em 1973, ou seja ainda sob domínio colonial português, e que foi imediatamente reconhecida por uma série de países. Rir, cantar e dançar, sem dúvida as melhores maneiras de comemorar a independência da Guiné e de evocar a memória de Amílcar Cabral.
rosas

será

fotografia

"É quando somos velhos que as coisas que estão para vir começam a acontecer, e uma razão de ser assim é que já somos capazes de acreditar naquilo de que duvidávamos, e mesmo não podendo acreditar que tenha sido, acreditamos que será."

- José Saramago, MEMORIAL DO CONVENTO (no Kindle)