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Fernando Dacosta escreve uma excelente memória de Natália Correia e do famoso bar da Graça, o Botequim, que foi, durante anos, um dos lugares essenciais da noite lisboeta: pela boémia, pela tertúlia, mas também por ser ponto de encontro de intelectuais, artistas, políticos, enfim tutti quanti tinham uma palavra a dizer.

Achei um pouco forçada a nota de atribuir a NC uma premonição muito acertada da decadência em que Portugal mergulhou nos últimos anos: não porque seja inexacta, mas porque o autor está sempre a regressar a ela, e isso torna-se por vezes aborrecido.

Além disso, o livro é mesmo sempre melhor quando se debruça no close up, quando conta as pequenas histórias que estão nos bastidores das grandes histórias, quando traça o retrato de Natália mais na evocação do que no panegírico. Dacosta escreve bem e escorreito, e isso, a aliar ao grande interesse do tema, torna a leitura fácil e compulsiva.

E tem o mérito, agora que se assinalaram os 90 anos do seu nascimento (passando 20 sobre a sua morte), de resgatar a memória de Natália Correia a um certo esquecimento, injusto e empobrecedor, que tem recaído sobre si nos últimos tempos. É que o mérito pode até nem ser, ou nem ser só, de Natália, mas a verdade é que Portugal era um país maior quando tinha cidadãos da dimensão de Natália Correia.