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blue jasmine
rosas
innersmile
Gostei muito de Blue Jasmine, o mais recente filme do Woody Allen. Apesar do tom desencantado e do final triste e pessimista. Raramente o WA tem sido tão amargo, e simultaneamente tão cruel e compassivo em relação a uma personagem como o é em relação a Jasmine. Estava a ver o filme e a lembrar-me como ele poderia ter sido escrito pelo Tenessee Williams, de tal modo esta história parece ser um re-enactment do drama de Um Eléctrico Chamado Desejo. Li posteriormente que essa questão tem sido das mais debatidas a propósito do filme, nomeadamente se se trata de uma citação da peça de TW ou de uma estranha e espantosa coincidência.

Mas o filme só resulta mesmo por causa do sopro de vida que a Cate Blanchett traz à personagem de Jasmine. É o seu jogo que nos perturba, que nos faz sentir constrangidos pelo destino de Jasmine, que nos faz desejar com força que ela saia triunfante de todos os seus movimentos que todavia sabemos estarem condenados ao mais confrangedor fracasso. Allen e Blanchett conseguem essa coisa razoavelmente rara que é criar no espectador o embaraço de acreditarmos na personagem de Jasmine, de sabermos que, no fundo, todos temos dentro de nós uma Blanche DuBois que se alimenta das próprias fantasias que a destroem. É um sentimento inacreditavelmente forte e auto-destrutivo, o de pensarmos que possuímos exactamente as competências necessárias para sobrevivermos num mundo de fantasia.
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