September 5th, 2013

rosas

strangers on a train

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Strangers On A Train foi o primeiro livro publicado pela Patricia Highsmith. No próprio ano em que o livro foi editado, Alfred Hitchcock comprou os seus direitos e fez uma celebrada adaptação para cinema. E percebe-se bem o que terá interessado o mestre nesta obra de Highsmith: culpa e consciência são os temas que, de certa maneira, ambos andaram a tratar ao longo das respectivas carreiras.

O principal aspecto distintivo entre o filme e o livro, e que me surpreendeu bastante, tem a ver com a forte, ainda que nunca explicitada, carga erótica da relação entre Guy e Bruno. Se a devoção deste é assumida, e é mesmo um dos factores que adensam o thriller, a reacção de Guy, que vai da repulsa ao fascínio, não deixa de ter, de igual forma, uma forte tensão sexual.

O segundo livro de Highsmith, assinado com um pseudónimo, era explicitamente sobre uma relação lésbica. Pouco tempo depois, Highsmith escreveria o primeiro livro da série Ripley, igualmente marcado por uma pulsão homossexual. E até regressar de forma assumida ao tema no seu último romance publicado (Small G: História de Um Idílio), a (homos)sexualidade esteve quase sempre, e de forma mais ou menos subtil, presente como subtexto dos seus livros.

Just for the record, este foi o décimo livro da autora que li, o que a coloca, segundo o Goodreads.com, em quarto lugar no meu top pessoal dos autores mais lidos (já agora, em ex-aequo com José Saramago).