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fados na casa de linhares
rosas
innersmile
No sábado à noite fui pela primeira vez a uma casa de fados, graças ao Bruno que reservou esta experiência no nosso fim de semana lisboeta. Foi no restaurante Bacalhau de Molho, instalado no que resta da Casa dos Condes de Linhares, em Alfama, junto ao Arco de Jesus. A sala é muito interessante, com um pé direito altíssimo, os tectos abobadados e em tijolo burro. Faz parte das fundações da casa original, que foi destruída pelo terramoto de 1755, sendo visível a entrada de um dos túneis que ligavam o castelo às margens do Tejo.

Como experiência gastronómica, não se recomenda, mas também ninguém lá vai pelo jantar. E além disso é caríssimo, como, tanto quanto sei, todos estes restaurantes de fado, muito voltados para o turismo. Para além do preço das refeições, é cobrada uma taxa de espectáculo, o que me parece inteiramente justificado, até tendo em conta a respectiva qualidade.

Os fados começam por volta das nove, e são assegurados por uma sucessão de fadistas, em sets de três ou quatro fados. Também haverá guitarradas, mas até eu sair, por volta da meia-noite e meia, não houve. A acompanhar os fadistas, a guitarra de João do Valle e a viola de fado de Jorge Fernando, que também assegurou um dos sets, nomes de referência absoluta da canção nacional. Cantaram a Maria da Nazaré, a Fábia Rebordão, a Cidália Moreira, o André Baptista e a Sara Correia, para além do Jorge Fernando, como já referi, e de uma senhora, que não consegui identificar, e que era cliente do restaurante.

Foi uma noite emocionante, e eu, que há anos perseguia este sonho de ir ouvir fados num dos seus lugares próprios, nunca imaginei que fosse tão bom. Adorei todos os cantores, que cantaram fados, na grande maioria dos casos, meus conhecidos. O momento alto da noite foi sem dúvida a actuação da Cidália Moreira. Como a maioria dos clientes eram turistas, que estavam ou a tirar fotos ou a continuar a jantar, a Cidália reparou que nós estávamos a ouvi-la com muita atenção e então esmerou-se em cantar para nós quando se voltava para o lado onde estava a nossa mesa.

Num fim de semana inesquecível, cheio de momentos bons, foi um dos mais intensos. E eu acho que esta experiência de ir aos fados deve ser viciante, porque eu, pelo menos, fiquei cheio de vontade de repetir.
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