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4 filmes
rosas
innersmile
4 dias, 4 filmes: no sábado fui à matiné ver Elysium, o mais recente filme de ficção científica de Neil Blomkamp. No domingo vi, finalmente, num canal da tv cabo, Gattaca, o filme culto de Andrew Niccol. Na segunda ao fim da tarde, revi The Bling Ring, da Sofia Coppola. Ontem, fui ao Museu do Mosteiro de Santa Clara-A-Velha, rever, al fresco, À Bout de Souffle, o clássico de Jean-Luc Godard.

Começando pelo fim, é fantástico rever este primeiro filme de Godard, e perceber que, mais de 50 anos depois, permanecem intactas a energia e uma certa alegria furiosa, que marcaríam definitivamente o cinema, e não apenas o europeu. À Bout de Souffle é um festival de cinema, uma celebração do gozo de fazer, ainda que de uma forma diferente, cinema. A Jean Seberg é um meteoro, e o Jean-Paul Belmondo é uma bomba à espera de explosão. Há muito tempo que não via o filme, e já não me lembrava do pormenor do próprio Godard fazer figuração no filme, a la Hitchcock, e com o sentido de auto-ironia bastante para aparecer a fazer de denunciante, de bufo.

Está certo que fui rever o filme da Sofia Coppola sobretudo pelo prazer da companhia, mas mesmo assim gostei de ver de novo o filme, acho que o apreciei ainda mais, a sua subtileza, o humor, o modo um pouco perplexo como o filme olha aquelas personagens, e como que admira a sua tremenda energia, ainda que colocada ao servço de uma fútil superficialidade. E há pormenores que só uma revisão permite: o som do filme, não falo da banda sonora, falo mesmo da trilha audio, é espantoso e percebe-se como um filme é o resultado de tudo o que o compõe: o som deste filme é o principal responsável pela criação do tom e do ambiente da narrativa.

Há muito tempo que queria ver Gattaca, mas nunca tinha calhado, e aproveitei para o ver numa sessão da tarde de um canal qualquer da tv cabo. Trata-se de um filme de 1997, de ficção científica, que elabora sobre a previsível evolução da ciência e da manipulação genética, e de como uma sociedade construída e organizada nessa base pode conduzir à distopia. Ethan Hawke e Uma Thurman encontraram-se neste filme, que nos traz ainda desempenhos de Jude Law e Alan Arkin, e uma das raríssimas presenças no ecrã, como actor, do escritor Gore Vidal.

Depois de District 9, o sul-africano Neil Blomkamp realizou nos EUA Elysium (3*), mais uma visão distópica na linha do seu filme anterior. Mas enquanto District 9 pretendia ser sobretudo uma parábola sobre o racismo e o apartheid, em Elysium o cenário é o de uma sociedade completamente dividida pelo dinheiro: na Terra, o planeta, vivem os imensamente pobres, desempregados ou detentores de lower jobs, em cidades gigantescas que não passam de favelas globais. Numa estação orbital colocada a uma distância cautelosa, vivem os imensamente ricos, em paraísos tecnológicos de bem estar físico. Ou seja, favelas e condomínios fechados: o mundo tal como o conhecemos. O filme de Blomkamp é sempre melhor quando se assume como um exercício de antecipação política e social; infelizmente, descai demasiadas vezes para o action movie, onde se torna tão desinteressante como a maior parte das fitas de acção. Num elenco internacional, onde não faltam actores sul-africanos e brasileiros, Matt Damon recorre ao seu já conhecido registo de herói improvável, e a Jodie Foster faz um raro papel de vilã.
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