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julie harris
rosas
innersmile
Soube ontem, por um post no journal do Twinner, da morte da actriz Julie Harris. Com uma carreira feita sobretudo no palco e na TV, foi através do cinema, como é óbvio, que a conheci, nomeadamente nos filmes East of Eden, em que desempenhava a protagonista Abra, contracenando com James Dean, e em Reflections of a Golden Eye, em que a sua presença de algum modo empalidecia face ao protagonismo de Marlon Brando e Liz Taylor.

Mas o meu papel preferido da Julie Harris é num filme que vi há muito pouco tempo, e apenas no computador (acho mesmo que só o vi no YouTube, em episódios): I Am A Camera, um filme adaptado da peça de teatro do mesmo nome, e que ele próprio estaria na base do musical Cabaret, a peça da Broadway e o filme de Bob Fosse com a grande Liza Minnelli.

I Am A Camera, por seu lado, são as palavras (quase) iniciais do romance de Christopher Isherwood Goodbye To Berlin, que de facto está na origem desta sucessão de cruzamentos entre a literatura, o teatro, dramático e musical, e o cinema. No filme, Julie Harris desempenha, como é evidente, o papel de Sally Bowles, e se é verdade que há um mundo a separar a sua Sally da de Liza Minnelli, devo dizer que sou fã entusiasta das duas. A Sally de Liza, porque de certo modo foi ela, e o filme de Fosse, que me haveriam de trazer até ao universo literário de Isherwood. A de Julie Harris porque I Am A Camera está muito mais próximo desse universo, e é, juntamente com A Single Man do Tom Ford e o telefilme inglês Christopher and His Kind, das mais conseguidas transposições para cinema dos livros de Christopher Isherwood que conheço.