August 20th, 2013

rosas

os emigrantes

sebakld

Os Emigrantes reúne quatro narrativas, de extensão muito variada, que têm em comum o facto de serem relatos sobre judeus europeus emigrados. Como pano de fundo, o horror nazi e os seus efeitos no esvaziamento da alma europeia, de que estes emigrantes serão, não tanto um símbolo, mass talvez mais um paradigma. W.G. Sebald escreve com mestria e com a precisão de um mecanismo de relógio. O tom da escrita fez-me recordar Austerlitz, outro livro do autor, de que gostei bastante. Uma escrita quase em filigrana, que cruza descrições pormenorizadas, uma enorme (diria mesmo obsessiva) atenção ao detalhe, com passagens mais reflexivas ou contemplativas. E depois, como também acontecia em Austerlitz, há uma mistura entre realidade e ficção, que nunca nos deixa saber com exactidão o que é que corresponde a memória histórica e o que é pura invenção literária. Esta ambiguidade é muito sedutora, e está presente mesmo naquelas narrativas onde o elemento autobiográfico parece mais preponderante. É o terceiro livro de Sebald que leio este ano, e não conto ficar por aqui.

Edit: encontrei num blog uma recensão muito boa ao livro; está em inglês, mas como eu estou demasiado preguiçoso para escrever, aqui fica o link: http://justwilliamsluck.blogspot.pt/