August 12th, 2013

rosas

to eat: a country life

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Uma das possibilidades que os livros nos oferecem é a de experimentarmos universos de referências que não nos dizem nada, aos quais somos alheios ou de que estamos muito afastados, pelo simples razão de que a vida, nas suas infinitas variantes, nos ter levado por outros caminhos. E eu sempre me fascino por aquilo que não conheço, como se dizia numa canção velhinha dos Mler Ife Dada.

Calculo, por isso, que tenha sido um impulso parecido com aquele que de vez em quando me leva a ler livros científicos, que me fez baixar para o Kindle o livro To Eat: A Country Life, um livro sobre jardinagem de vagetais (‘vegetable gardening’; será mais correcto dizer horticultura?) e a sua relação com a cozinha e a mesa do jantar. Os autores, Joe Eck e Wayne Winterrowd, são dois renomados jardineiros, com fama firmada não apenas na sua condição de proprietários de jardins de vegetais (hortas?), mas também na de criadores de jardins para outras pessoas, e de especialistas sobre a matéria, através de livros e de artigos publicados em revistas da especialidade.

Mas o que me convocou sobretudo para o livro foi o facto de Eck e Winterrrowd terem sido um casal, cuja vida em comum se confundiu com a prática profissional. Gostei muito do livro, da experiência de o ter lido, ainda que as enumerações da quantidade infindável de espécies de legumes e vegetais, e a descrição pormenorizada e técnica dos diversos ciclos produtivos, me diga muito pouco.

Mas o que é tocante no livro, pelo menos do meu ponto de vista, é a forma como um quase diário de jardinagem se transforma num relato de uma vida a dois, e da partilha ‘conjugal’ da experiência do jardim, da cozinha, da mesa e até do próprio ofício de escrever sobre o assunto. Durante a escrita do livro, o Wayne Winterrowd morreu, e o Joe Eck, apesar da angústia, decidiu prosseguir com a tarefa e terminá-lo. Não resisto a transcrever para aqui os frases finais do livro, que concluem o pósfacio onde Joe Eck explica a sua decisão de terminar o livro sozinho.

”(...) I must live again by little steps. And so I hoed the vegetable garden and today I will plant parsley. And now begin to fashion a separate life, one I never envisioned or wanted but I am fated to. As are we all.”