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a gaiola dourada (3*)
rosas
innersmile
Fui este fim de semana ver A Gaiola Dourada, do realizador luso-francês Ruben Alves, e foi uma agradabilíssima surpresa. Claro, não é uma obra-prima do cinema, não é um filme de tese, mas é uma comédia muito bem feita, com seguros valores de produção, que nos faz sentir saudades do tempo em que havia cinematografias europeias que rivalizavam no box-office com o cinema norte-americano.

A história não é muito original, mas tudo é bem feito: os diálogos, a direcção de actores, a mise-en-scéne, as interpretações (fantástica Rita Blanco; é impossível não ter os olhos colados nela, sempre que está em cena, e é quase sempre). E a banda sonora, do Rodrigo Leão, quer nos temas originais quer na utilização de temas já conhecidos: ao longo de todo o filme faz-se uma revisitação de A Casa Portuguesa, que se transforma numa espécie de leit-motif musical da narrativa, e que mostra a enorme qualidade da canção de Artur Fonseca e de Reinaldo Ferreira que Amélia popularizou.

O filme não deixa de fora quase nenhum dos clichés habitualmente associados à comunidade portuguesa em França, mas não os usa como muleta nem os põe a ridículo. Aliás aquilo que mais me entusiamou no filme, a par com a sua honestidade, foi a imensa ternura que demonstra pelos seus personagens, por todos eles, e que nos leva a nós espectadores, a interessarmo-nos verdadeiramente pelo seu destino e a comovermo-nos com eles.
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