July 30th, 2013

rosas

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O innersmile faz hoje 12 anos!

A coisa mais aborrecida que aconteceu nestes últimos doze meses, em termos de ‘on-line journaling’ é claro, foram os bugs do próprio livejournal, todos os períodos em que o site esteve em baixo (e alguns duraram dias), as dificuldades em pôr fotos ou videos, ou mesmo em fazer entradas simples, só com texto. Muitas vezes apeteceu-me sair desta plataforma e ir para outra, mas depois o funcionamento do site estabiliza, eu olho para o molho de palavras que aqui tenho acumuladas, e fico sem vontade nenhuma de as abandonar.

Além disso, o livejournal é cada vez mais recôndito, quase só utilizado pelos russos, mas isso tem um lado que me agrada, que é o de ser um espaço livre de polémicas e de cusquices, e que me dá liberdade e me deixa escrever de forma tranquila sobre o que me apetece e dizer disparates à vontade.

Claro que há um lado negativo: o innersmile tem cada vez menos leitores. Segundo os contadores de visitas, o número de pessoas que acedem é cada vez menor, mas baixa assim tipo de mês para mês. Isso às vezes aborrece-me, sobretudo quando escrevo textos mais elaborados, que me dão muito trabalho e consomem muito tempo, ou quando escrevo alguma coisa que acho que está muito bem feita e na qual me revejo, e depois tenho a impressão de que estou a escrever para o vazio, que ninguém lê. Claro, a redução do número de leitores também pode ter a ver com o facto de as coisas que aqui escrevo terem cada vez menos interesse e para cada vez menos gente. Pois pode, mas como dizia a outra, isso agora não interessa nada...

O ponto é que continuo a escrever aqui apenas porque me apetece. E porque o innersmile se constituiu como uma espécie de extensão da minha capacidade de observar o mundo e de processar a informação que ele me transmite.

E se escrevo apenas porque me apetece, também escrevo apenas quando me apetece. A questão é que me apetece quase todos os dias, e quando estou um ou dois dias sem escrever começo a sentir que me falta qualquer coisa, ou que sou eu próprio que estou em falta.

Ainda em jeito de balanço, é importante referir que foi há poucas semanas editado um e-book com contos que eu escrevi. É a segunda vez que junto em livro textos meus, e desta vez com a carcaterística de os textos e o livro terem sido sujeitos ao crivo e ao juízo de outrém, no caso os meus editores. Pode parecer que não, mas isso é muito importante, haver alguém que leia e que decida se quer ou não, enquanto editor, associar o seu nome àquilo que eu escrevi. Mas se trago o assunto para aqui é para destacar que, tal como aconteceu com o anterior, os textos que constituem este livro foram (quase) todos escritos aqui para o innersmile.

Mas este ano foi também aquele em que perdi o Saint-Clair, que foi o meu companheiro mais querido nesta aventura de escrever um diário on-line. Durante muito tempo, tudo o que eu escrevi, era como se lhe fosse dedicado, ele era o meu leitor ideal, aquele em quem eu pensava quando escrevia alguma coisa. O tempo adoça a dor da ausência, naturalmente, mas continuo a ter muitas saudades do Saint, e o innersmile, ou seja, aquela parte de mim que se vai escrevendo diariamente nestas linhas, ressentiu-se e sofreu muito com a sua falta. Mas se é verdade que as pessoas só morrem verdadeiramente quando são esquecidas pelos vivos, então o Saint continua presente, todos os dias, porque todos os dias eu me lembro dele, e lembro-me dele como se ele estivesse aqui connosco, sempre presente, sempre vivo.

Só mais uma coisa. Como já disse, o innersmile tem cada vez menos leitores e isso reflete-se nos comentários. Se eu escrevo apenas porque e quando me apetece, a verdade é que o feedback faz parte das regras do jogo, e os comentários são assim uma espécie de câmara de eco, que nos devolve aquilo que escrevemos; sem eles, o que escrevemos fica como que a reverberar no vazio, e nunca podemos estar inteiramente certos de que aquilo que escrevemos faz algum sentido ou não passa de um tremendo disparate. Por isso, hoje sentam-se comigo à mesa do innersmile, para participar nas comemorações, o João e a Margarida. Sem eles, a viagem este ano que passou tinha sido ainda mais solitária.