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only god forgives (3*)
rosas
innersmile
Fui ontem ver Only God Forgives, do realizador dinamarquês Nicolas Winding Refn, que tinha feito anteriormente, igualmente com o Ryan Gosling, o filme Drive, que foi um sucesso de crítica, mas que eu não vi. Este, ao contrário, tem sido demolido pelos críticos, que o acusam de excesso de formalismo.

De facto o filme é excessivamente formal, mas eu não me incomodei com isso, e até gostei. Num certo sentido o filme fez-me lembrar algum do cinema do Manoel de Oliveira: uma atenção obsessiva ao plano, à sua composição, sacrificando toda a narrativa no altar do enquadramento.

E se é verdade que alguns planos podem descair para um certo decorativismo, o ponto é que adorei aqueles planos muito saturados de um certo kitsch oriental (aqui passa-se na Tailândia, mas é um bocadinho como aqueles restaurantes chineses de antigamente, com quadros iluminados de cataratas em movimento, e cadeiras forradas a plástico vermelho reluzente), e que servem de contraponto (estético, puramente estético, outra das acusações que têm sido feitas ao filme) para a violência excessiva que o filme encena.

O filme passa-se na Tailândia, mas a opção do realizador não foi a do exotismo do cenário, já que a maior parte do filme passa-se em interiores e os exteriores são aquelas ruas escuras e sujas que há em todas as cidades. Há um clara intenção de radicalidade no filme, que também se assume nessa espécie de “vocação tailandesa”: o filme é parcialmente falado em tailandês, a maior parte dos actores é local, e mesmo os tipos usados no genérico são em tailandês.

Claro que num objecto destes, há coisas que se perdem: a narrativa é esparsa e dispersa, as personagens nunca chegam a sê-lo, o trabalho dos actores por vezes parece não passar de um assomo caricatural (a ‘mãe’ da Kristin Scott-Thomas é o melhor exemplo). Convincente mesmo só o mau da fita, feito por Vithaya Pansringarm, porque o estilo minimalista da interpretação se cola completamente à impassibilidade da personagem.
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