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“Depois da refeição, bebi o restinho do café e fiz uma paciência com um baralho de cartas que encontrei por cima da lareira. Entretive-me com uma variedade desse passatempo, inventado por um inglês no século XIX, e que tinha sido bastante popular numa certa e determinada altura, mas que depois fora votado ao esquecimento por causa das suas regras, demasiado complexas. Segundo cálculos de um matemático, a percentagem de êxito neste jogo era de uma em cada 25 vezes. Joguei três vezes. Sem êxito, escusado será dizer.”

- Haruki Murakami, EM BUSCA DO CARNEIRO SELVAGEM (Casa das Letras)



“(...) Conhecia dezassete variedades de paciência. Experimentei a spider, mas não houve forma de a conseguir fazer; experimentei a paciência que se joga no Clube de Florença (e o leitor devia ouvir os gritos de triunfo que lá ecoam quando um florentino de família nobre, um Pazzi ou um Strozzi, a consegue fazer) e experimentei também uma paciência, incrivelmente difícil, a mais difícil de todas, que me foi ensinada por um cavalheiro holandês de Filadélfia. É claro que a paciência perfeita ainda não foi inventada. A paciência perfeita deveria levar muito tempo a fazer; deveria ser complicada, fazendo apelo a todo o nosso engenho; deveria implicar uma profunda reflexão e exigir do jogador um raciocínio coerente, o exercício da lógica e a avaliação cuidada das probabilidades; deveria estar repleta de possibilidades de se escapar por um triz para que o coração do jogador palpitasse ao verificar a catástrofe que lhe poderia ter acontecido caso tivesse posto na mesa a carta errada; deveria deixar o jogador estonteado nos píncaros da expectativa quando percebesse que o seu destino estava dependente da próxima carta que virasse; deveria fazê-lo agoniar de apreensão; deveria apresentar grandes perigos a evitar e incríveis obstáculos que só uma coragem destemida consegue ultrapassar; e no fim, se o jogador não tivesse incorrido em nenhum erro, pegando as oportunidades de frente e agarrando a sorte incerta pelo pescoço, os seus esforços seria sempre coroados pela vitória.”

- Somerset Maugham, UM GENTLEMAN NA ÁSIA (Tinta da China)