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love's never easy
rosas
innersmile
Ontem à tarde fui aos meus terabaites de música escolher qualquer coisa para acompanhar a sessão de leitura no sofá, e lembrei-me de ouvir a banda sonora do musical Bombay Dreams, música extraordinária de A. R. Rahman, para uma dos musicais de que mais gostei, e que vi quando fui a Londres pela última vez, em Setembro de 2003, vai fazer 10 anos.

Na altura, escrevi aqui no innersmile o seguinte sobre o espectáculo:

”É uma super-produção, do A. L. Webber, com tudo de bom e de mau que isso possa significar: de bom, um espectáculo com um padrão de qualidade inquestionável; de mau, um certo mínimo denominador comum que possa apelar à maior quantidade de público possível.

O musical, que envolveu, em toda a sua produção e montagem, um acervo mais que considerável do talento indiano, quer da comunidade britânica quer da Índia, reconstrói em cena o ambiente, a história, a estrutura, o feerismo, a ingenuidade, o romantismo xaroposo e a exuberância exótica, de uma grande produção de Bollywood.

BD tem dois trunfos de primeira grandeza: a música de A. R. Rahman e a coreografia de Anthony Van Laast e Farah Khan. Rahman é um génio musical em qualquer parte do mundo, e ainda por cima daqueles profícuos, que escrevem (bem) à velocidade da produção da indústria cinematográfica de Bombaim. E o facto de as letras (de Don Black) não estarem ao nível da música em nada diminui a grandiosidade deste score, que doseia com perfeição a tradição da música folk, a capacidade de adesão das melodias pop e o fôlego da música clássica.

Quanto à coreografia, é um espectáculo luxuriante que enche o palco do Apollo Victoria de um corpo de baile vasto e muito dotado, a que não falta, à boa maneira de Bollywood um número dançado à volta (e dentro) de fontes verdadeiras. É a música e a coreografia que fazem com que este musical nos transporte ao longo de duas horas e meia de excitação pura.”


Uma das minhas canções preferidas do musical é Love's Never Easy, que tem, além de ser lindíssima, a caracteristica de ser cantada pela personagem de Sweetie, que é uma ‘hijra’, ou seja, as pessoas trans-sexuais, trangéneros ou travestis, que são uma tradição antiquíssima na Índia, que na maior parte dos casos se dedicam à prostituição por questões de sobrevivência económica, e que são um dos fenómenos sociais mais importantes na área dos estudos da identidade sexual.

Gosto tanto desta canção que uma vez até escrevi um conto, que publiquei aqui no innersmile, com este título, inspirado numa fotografia de alguém que na altura também andava por aqui no livejournal.