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viagens e trabalho
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Fui um leitor muito apaixonado dos livros do Antonio Tabucchi. Depois, cansei-me um pouco, recordo-me que abandonei a meio o último livro dele que tentei ler, e depois estive anos sem reincidir. Mas foi colocado recentemente à venda Viagem e Outras Viagens, uma colectânea de textos, a maior parte deles bastante curtos, que resultaram de viagens feitas pelo autor (algumas delas, as do último capítuulo da obra, sendo viagens puramente literárias). Decidi ler o livro, por três razões: porque gosto muito de literatura de viagens, porque alguns dos meus livros favoritos do autor tinham a ver com essa caracteristica do viajante que é ser um estranho numa terra estranha, e também numa tentativa de me conciliar com uma escrita de que já gostei muito.

O que me agradou, e muito, nestes textos, foi a própria marca pessoal do seu autor, a sua personalidade de viajante que escreve sobre as suas viagens: curioso e interessado, bem-humorado e irónico, culto e informado, compassivo e benevolente, ainda que ocasionalmente queixoso e resmungão. Tabucchi presta muita atenção às coisas, sobretudo às mais pequenas, e, quando é o caso, deixa-se impressionar, e mesmo perturbar por elas.

Mas tenho de admitir que há qualquer coisa na prosa de Tabucchi que me “arranha”, no modo como ele estrutura as frases e constrói o texto que me faz tropeçar, perder-me, desconcentrar-me, ter de voltar atrás, começar de novo. Não sei se por defeito meu, mas a escrita de Tabucchi não me galvaniza, como já aconteceu. Mas reconheço-o com uma certa pena, porque há textos deste livro que me fascinaram e encantaram, e tenho consciência, como de resto é natural que aconteça, que mais do que os lugares, o que me encantou foi o olhar de quem os viu e se deixou encantar por eles.

Ler travelogues é também uma maneira de regressar a lugares que já visitámos e conhecemos, e neste livro de Tabucchi há alguns desses; e, de todos, aquele onde mais gostei de voltar pelas mãos do escritor foi Creta. Apesar dos epicentros respectivos serem diferentes (o de Tabucchi foi Chania, o meu foi a capital da ilha, Heraklion, apesar de eu ter visitado Chania), foi delicioso perceber que Tabucchi sentiu por Creta o mesmo fascínio e a mesma paixão que eu senti.

cetp

Ao contrário do que o título pode induzir, Como Encontrar o Trabalho Perfeito, da autoria de Roman Krznaric, não é um livro de auto-ajuda, tratando-se antes de uma reflexão sobre o valor do trabalho e o seu papel na nossa satisfação pessoal. Temas que me interessam, pessoal como profissionalmente; mas o que me trouxe ao livro foi ele ser uma edição da School of Life, a “universidade” londrina fundada por Alain de Botton, e onde são desenvolvidos e pensados (mais do que estudados) temas que têm a ver com a felicidade possível do homem nas sociedades contemporâneas.

Claro que o livro não tem teses conclusivas, nem, em rigor, ajuda ou dá pistas para cada um dos leitores encontrar o seu trabalho perfeito. Mas é enriquecedor a fazer-nos pensar nas diversas dimensões que o trabalho ocupa na nossa satisfação pessoal e nas diferentes maneiras como a pode afectar. Apesar de tudo, habituado ao humor e ao brilhantismo expositivo dos livros do Alain de Botton (e dando de barato que por vezes possam ser um pouco simplistas), a leitura deste pequeno volume de Krznaric, que tem uma capa muito bonita, não foi completamente satisfatória.