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em busca do carneiro selvagem
rosas
innersmile
9789724617152

Segundo romance de Murakami lido em poucas semanas, cortesia da Margarida, que me emprestou os livros. Gostei mais de After Dark do que deste Em Busca do Carneiro Selvagem, mas apenas porque se nota que este romance é de um autor ainda em crescimento, ainda à procura, enquanto After Dark é claramente um livro de um romancista maduro, em pleno domínio da sua narrativa e da sua escrita.

Em Busca do Carneiro Selvagem organiza-se como um (falso) thriller, no qual o narrador, de quem nunca conhecemos o nome, recebe a missão de descobrir o paradeiro do carneiro selvagem, um animal que é trazido para o Japão dentro de um agrónomo, e que vai sucessivamente ocupando vários personagens, sendo capaz de lhes transmitir a energia e a capacidade necessárias para construír uma espécie de império do mal! Claro que um thriller assim tem de ser cruzado com uma dose muito razoável de fantasia, ou mesmo de absurdo, e uma das caracteristicas do autor que aqui já se nota é precisamente essa de criar um universo absurdo, muito inspirado no tipo de sonhos que nós temos, sobretudo naquele aspecto que os nossos sonhos têm de tratarem como verosímeis as coisas mais bizarras.

Em suma, EBdCS assume-se como uma metáfora de um certo mal que está ínsito no coração dos homens, e que Murakami descreve com a lógica implacável dos sonhos.

Mas há um outro aspecto que me chamou a atenção. O livro foi originalmente editado em 1982, quando Murakami tinha pouco mais de trinta anos, e a sua acção passa-se em 1978, quando o autor tinha 29. Ora todas as principais personagens do livro, e sobretudo o seu narrador têm idades aproximadas dos 30 anos, e esse facto é sempre sublinhado. E de certa forma o Carneiro Selvagem é essa mítica barreira dos 30 anos, quando de repente deixamos de poder adiar o assumir das responsabilidades próprias da vida adulta e começamos a sentir uma certa inquietude que tem a ver com a necessidade de dar sentido as nossas vidas. Neste aspecto, EBdCS é o mais oníricamente perturbante dos romances de coming-of-age que eu já li.

Só mais uma referência à mestria com que Murakami domina a arte do diálogo. As páginas com diálogo têm uma leveza e uma eficácia enormes, e nós passamos por elas sem atrito nenhum, de tal forma somos convocados e absorvidos para o interior do diálogo. E isto que se nota já de forma tão categórica neste romance, torna-se uma verdadeira obra de arte num romance como After Dark.

crisis, what crisis
rosas
innersmile
Não consigo comentar a crise política. Como, aliás, já há muito tempo que não comento aqui nada que tenha a ver com política. Em parte porque gasto o pouco que tenho a dizer sobre o assunto em conversas e discussões pessoais, com amigos e colegas; mas principalmente porque estamos a viver tempos e modos que desencorajam qualquer um de poder ter uma opinião séria acerca da política e dos políticos, e até da maneira como os portugueses vivem o actual momento histórico, ali entre o conformado e os ataques mais ou menos biliosos a supostos ‘culpados’, sejam os funcionários públicos, os professores ou quaisquer outros ‘malandros de serviço’!

Mas no facebook (essa poça onde se revela, sem complexos, o nosso lado mais patético e inconsequente) lembrei-me de ir pondo clips de video, do Youtube, como uma espécie de comentários aos sucessivos actos da farsa política que se desenrolou no princípio da semana. Recupero aqui esses três clips, e junto-lhes mais um.

1. Segunda-feira.
Victor Gaspar demite-se de ministro de estado e das finanças.



2. Terça-feira.
Paulo Portas demite-se de ministro de estado e dos negócios estrangeiros.



3. Quarta-feira.
Passos Coelho empenha-se em salvar a coligação e o governo.



4. Quinta-feira.
Cavaco sai do coma por breves instantes e exige a Passos e Portas uma solução governativa conjunta.