July 3rd, 2013

rosas

ana moura, zé perdigão

Está a decorrer um festival de verão, organizado pela Câmara Municipal de Coimbra, que se propõe trazer ao Choupalinho (acho ‘praça da canção’ um nome tão Polis...) nomes interessantes da música popular em língua portuguesa, todas noites desta semana, até domingo, ainda por cima a preços de saldo. Eu já tinha bilhete para o concerto do próximo sábado, mas ontem decidi ir, um pouco à última da hora, porque queria muito ver a Ana Moura, e tinha companhia e incentivo.

O concerto da Ana Moura estava previsto para as 22:30, e começou já passava das 23:30 horas. Antes havia um outro concerto, de Zé Perdigão, que começou mais de 45 minutos depois da hora prevista. Não havia cadeiras para o pessoal se sentar, apesar de haver uma quantidade imensa de cadeiras arrumadas na rampa de acesso, e que estava vedada por caixotes do lixo! Consegui sentar-me num muro, a dezenas de metros do palco, e atrás de uma rulote de comes e bebes, que era um cheiro a coiratos que tresandava (ainda tenho as narinas impregnadas do pivete). Só não me vim embora, e armei uma fita na bilheteira para me devolverem o preço do bilhete por quebra de contrato, porque a amiga com quem eu estava não me deixou.

Gostei de conhecer o projecto de Zé Perdigão e os Sons Ibéricos, e que, segundo me apercebi, é uma espécie de protegido do José Cid. Nada contra! O Zé Cid produziu e escreveu algumas das canções do próximo cd, e nota-se a sua influência, até na maneira de cantar do Perdigão. Não sei se terá muitas condições para ter sucesso, mas pareceu-me um projecto interessante, bem pensado, e assumido de forma séria.

Apesar do atraso superior a uma hora, e da falta de condições adequadas, mal começou o concerto da Ana Moura esqueci-me das contrariedades todas. Eu estava cheio de vontade de ver a AM ao vivo, e fiquei ainda com mais vontade de a ver num concerto mais cuidado e mais longo. A AM anda a fazer a digressão das feiras e festivais de verão, e nota-se que este concerto, em formato mais curto e popular, é pensado para esse tipo de eventos.

Mas isto não são críticas, atenção, porque o concerto foi excelente, a AM é muito simpática e comunicativa, a sua voz e a sua presença em palco são cativantes, e os músicos que a acompanham são nada menos do que excelentes, com destaque para a guitarra portuguesa prodigiosa do Angelo Freire, que consegue adaptar de maneira entusiástica a guitarra para o som um pouco jazzy dos concertos de Desfados. Isto para além, é claro, de ser uma cantora extraordinária, com um enorme sentido musical, e que sabe usar, com sentimento e contenção, a sua voz, e o seu fado, de forma que mesmo quando a interpretação, e o próprio formato dos temas, foge mais ao fado, ele está sempre presente no canto.