June 28th, 2013

rosas

um gentleman na ásia

0391a1b2f27115f9d250eda3a9f107e1-smallbook

Faltam umas poucas dezenas de páginas para terminar a leitura de Um Gentleman na Ásia, um travelogue da autoria de W. Somerset Maugham. Seguramente um dos melhores livros de viagens que li, não apenas pela excelência da escrita, mas também pela mistura de descrição e reflexão, pelo humor e pela ironia, pela britishness, que tanto leva o autor a cumprir aqueles rituais muito típicos (como beber gin & bitters ou jogar solitaire), como lhe dá distância em relação a si próprio e aos seus compatriotas, pelos relatos dos encontros e das personagens com quem o autor se vai cruzando, pelas pequenas histórias, e também muito pela atenção, que nunca é afectada nem deslumbrada, do olhar que Maugham dedica às pessoas locais, aos seus usos e costumes, à cultura, aos hábitos alimentares ou de vestuário, dos povos e dos países que vai atravessando.

Trata-se de uma longa viagem, feita nos anos 20 do século XX, percorrida sobretudo de barco ou a cavalo, que começa em Rangun, a capital da Birmânia, sobe até Mandalay, desce pelo chamado Reino de Sião até Banquecoque (hoje Tailândia), entra no Camboja em Phnom Penh para ir a Angkor Wat, desce o Mekong até Saigão, sobe pela Indochina francesa (hoje o Vietname) até à cidade imperial de Hue, vai até Hanói (o único trecho da viagem que é feito de automóvel), e termina em Haiphong, junto à baía da Halong, e onde Maugham apanha o barco para Hong Kong.

Claro que este trecho passado no Vietname foi o que mais me interessou, dado que pude reconhecer muitos dos locais visitados e reconhecer-me em muitas das observações feitas, apesar dos quase 100 anos que separam a viagem de Maughm da minha. Apenas não visitei Hue, porque troquei a visita à cidade imperial por um dia de praia; eu sei que visto daqui parece ter sido uma troca tola e que me deitou a perder. Mas concordo com o Somerset Maugham quando ele defende, e pratica!, que não é preciso visitar tudo, e por vezes é preferível ficar numa varanda a beber um gin e a ler um livro. De resto, pelo mesmo princípio preguiçoso, Maugham não visitou a baía de Halong, e eu posso afiançar que foi uma perda e tanto, dado que foi dos lugares mais espectaculares e assombrosamente lindos que eu vi em toda a minha vida e em todas as minhas viagens.

Maugham viaja de Saigão para Hue de barco, e desembarca na cidade portuária de Tourane, onde visita um museu de escultura khmer, de forte influência hindu. Achei aquilo familiar e uma pesquisa breve na net permitiu-me concluir que o nome actual da cidade é Danang, onde eu estive, e onde visitei esse museu, que é muito interessante. A única discrepância é que eu não vi esse museu associado aos khmers, mas sim à civilização Champa, que ocupou a zona central do Vietname durante perto de mil anos e que era hinduista.

Apesar de só ter estado um dia em Banguecoque, aprendi com o livro do Maugham que uma das coisas que mais me impressionou nessa visita se chamam Wats, e que são grandes complexos religiosos, murados para os isolar do mundo secular, onde há templos budistas e outros edifícios de cariz religioso, e onde normalmente funcionam as escolas budistas. O wat que eu visitei era um dos maiores e mais antigos da Tailândia, e alberga o famoso Buda deitado que é, se não estou em erro, a maior estátua do Buda do mundo.