June 9th, 2013

rosas

I cast you out! unclean spirit!

Advertência: este texto tem o seu quê de escatológico e, por isso, não é adequado para os mais sensíveis e impressionáveis.

Comecei hoje a recuperar da mais violenta crise de vesícula que tive desde há três anos, quando uma cólica biliar me deu cabo das férias na Síria e na Jordânia (passe o humor negro, mas foi tão violenta que até parece que também deu cabo da Síria... sorry, very politically incorrect!)

Aliás depois destes últimos 4 ou 5 dias de inferno, tenho pensado em como que é que raio consegui sobreviver naqueles dias de abril de 2010, sem poder descansar, a ter de me levantar de madrugada para ir para outra terra, a não conseguir preparar nenhum alimento inócuo para a vesícula, sempre a vomitar (é uma espécie de currículo raro: já tive uma desinteria nas monumentais ruínas romanas de Palmira e na citadela de Alepo, já vomitei no Mar Morto, em Petra, uma das maravilhas do mundo, no Monte Nebo, onde Moisés morreu e eu não me senti nada bem, no alto de uma colina com vista para o mar da Galileia e para os Montes Golan, junto ao monumental arco de Adriano em Jerash, e num acampamento no Wadi Rum, o deserto que fez a fama de Lawrence da Arábia, e a infâmia do escriba agoniado). É impressionante, de facto, mas durante todo esse tempo a única coisa que eu verdadeiramente queria era um camelo que me trouxesse depressa para a minha casa e para a minha cama.

Desta vez essa parte correu melhor, mas mesmo assim foi tenebroso. A parte pior é quando às tantas o estômago deixa de funcionar (o nome técnico é ‘estase’) e tudo aquilo que entra torna a sair passadas umas horas carregadinho de uma bílis digna da cena mais horrível do Exorcista (a propósito, esse filme tem um erro factual: é amarela, e não verde; toma!)

Só ontem à noite, graças a uma maravilhosa polpa de maçã que o meu amigo Zé me veio cá trazer antes de se ir divertir à grande para o cinema, suponho que com muito champanhe e drogas recreativas à mistura, só com essa polpa de maçã é que a coisa começou a melhorar, e hoje de manhã, depois de um sono quimicamente induzido que durou várias horas (e que conto repetir já daqui a pouco) voltei a sentir-me verdadeiramente eu.

Como há sempre um lado positivo, entre terça-feira e hoje emagreci 4 quilos! A parte mais triste é que eu tinha uns dias de férias alinhados com o fim de semana prolongado para ir adorar a minha sobrinha-neta, e,claro, foi tudo cancelado por razões de baixa extracção. O lado mais desagradável é que muito provavelmente não me livrarei de um dia destes ter de ir tirar a vesícula.

E pronto, entre tragos de Stago (senti-me num anúncio da TV dos anos 70), colheres de puré de maçã e chás de verberna, esperamos retomar a programação normal.