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júlio resende
rosas
innersmile
Quase no final da temporada de primavera de concertos no auditório do Conservatório de Coimbra, um belíssimo recital de Júlio Resende, que apresentou antecipadamente o projecto do que poderá ser o seu próximo disco: um conjunto de fados, muito populares, daqueles que conhecemos de memória, e a que deu o nome de Fado and Further.

No alinhamento, e para além de de dois temas originais do pianista, fados tão icónicos como Gaivota, Dar de Beber à Dor, Olhos Negros, Tudo isto é Fado, Foi Deus, Estranha Forma de Vida, Barco Negro, e, já em encore, Uma Casa Portuguesa. É impossível dizer o que o piano de Júlio Resende faz com estes temas, em arranjos que preservam e realçam toda a sua força melódica, mas que a decantam, como que procurando a sua essencialidade, e em improvisações inspiradas e arrebatadoras. A versão da casa Portuguesa é daquelas coisas tão especiais, que no final só apetece ir lá abaixo ao palco dar beijinhos naquelas mãos. Palavra!

Não há dúvida nenhuma, Resende é um excelente pianista, e esta segunda vez que o vejo ao vivo em poucos meses, confirma que está a chegar ao ponto em que a maturidade e a ousadia se cruzam de maneira extraordinária. Mais um nome a integrar a distintíssima galeria dos pianistas de jazz portugueses.
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