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Uma colecção de 9 contos, que têm em comum a temática do confronto entre o rigor da vida militar e a perturbação da descoberta sexual, e o facto de serem mais ou menos autobiográficos (num dos prefácios desta edição, Sena tem uma frase notável que diz mais ou menos isto: só conta tudo quem tem pouco para contar).

Do ponto de vista estilístico, impressiona a quantidade de recursos que o autor domina e a vocação literária com que o faz: Sena está a escrever literatura, e essa ambição é clara em cada linha. No entanto aborrece-me um pouco uma certa complexidade sintáctica, que já é habitual na sua poesia; por vezes dá-me a impressão de que Sena complica sem necessidade.

Em termos de conteúdo surpreendeu-me a ousadia dos temas e a da linguagem: estes contos foram escritos em princípios dos anos 60, já no Brasil, e referem-se a momentos narrativos que decorrem entre os anos 20 e os anos 50. Não admira, como se lê nos prefácios, que Jorge de Sena tivesse plena consciência de que os contos de Os Grão-Capitães eram impublicáveis no Portugal de Salazar; não apenas pela crueza dos temas e da linguagem, mas também porque muitos dos contos têm um cunho político mais ou menos explícito, e sobretudo porque o sexo, mesmo nas circunstâncias mais sórdidas, parece ter sempre um elemento de subversão, de perturbação da ordem moral e política.