May 20th, 2013

rosas

the great gatsby (3*)

Devo começar por dizer que tenho uma paixão assolapada pelo Baz Luhrmann desde o dia longínquo em que vi o Strictly Ballroom no cinema e adorei aquela mistura de hiper-romantismo e musical, com fortes toques de kitsch e de camp a saber a gayismo por tudo quanto era poro. O Romeo+Juliet acrescentou a esse amor, para mais numa fase em que eu andava perdido de amores pela própria peça do Shakespeare. O Moulin Rouge deixou-me pouco entusiasmado, hélàs, mas o Australia resgatou a minha paixão, apesar de admitir que o filme tinha tudo para ser um fracasso!

Por todas as razões estava curiosíssimo para ver o Gatsby. Nunca li o livro de F. Scott Fitzgerald, e por isso o meu juízo é necessariamente condicionado por não conseguir perceber que tipo de relação o Baz estabeleceu com o romance original, e isso é importante porque é óbvio, pelo filme, que essa relação foi estabelecida: o filme é assumidamente uma adaptação do livro, e não uma versão da história (como foi, por exemplo, o recente Anna Karenina).

Dito isto, em The Great Gatsby reconhecem-se todos os sinais do Baz Luhrmann, a dimensão épica mas sempre condimentada por uma auto-ironia assumida, o feerismo camp, a vocação coreográfica, e por aí fora. Mas, fatalmente, achei o filme aborrecido! O drama romântico nunca me tocou, o excesso soou-me demasiado formalista e maneirista.

Verdadeiramente só se salvaram três coisas: a opção pelo hip-hop, um achado de energia; os raccords, uma das imagens de marca do realizador e que aqui são luxuriantes; e a Carey Mulligan, de quem gosto cada vez mais, apesar de não ter visto muitos filmes com ela (e de quem nunca me consigo esquecer da sua interpretação fabulosa do New York New York, no filme Shame, do realizador Steve McQueen).