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spring breakers (4*)
rosas
innersmile
Fui ver no fim de semana Spring Breakers, escrito e realizado pelo Harmony Korine, o tipo que, já lá vão quase vinte anos (credo!) escreveu o argumento de Kids, para o filme do Larry Clark (e também o de Ken Park, mas não houve nada que igualasse o impacto que o Kids teve na altura em que foi estreado).

O filme é sobre 4 miúdas que assaltam um café para poderem ter dinheiro para irem passar o Spring Break à Florida, e que é, para quem não sabe, a versão hardcore das férias em Lloret del Mar dos nossos finalistas que já por si são pretty hard. O resto pode-se imaginar: as coisas correm mal e as miúdas acabam agarradas a um rapper gangsta, branco, que quer disputar o território do motherfucker da zona.

Como nos filmes que escreveu para Larry Clark, o que mais interessa aqui é mostrar um certo hedonismo niilista e destrutivo. O que verdadeiramente incomodava nos filmes de Clark era que o olhar do realizador era completamente neutro em termos morais, isento de qualquer intenção de julgar ou glorificar tais comportamentos; é assim que as coisas se passam, é assim que estes tipos gostam de viver perigosamente, e nós não fazemos puta de ideia de como lidar com isto.

Harmony não consegue este tipo de neutralidade, e por isso o filme balança um pouco entre os momentos chamemos-lhes mais documentais, que são os mais eficazes, e aqueles em que a ficção se instala e em que é impossível não sentir empatia pelo destino das quatro miúdas. Ou seja, no fundo, Spring Breakers é uma história de redenção (a que nem falta o fundo religioso) e isso torna um pouco artificial aquela espécie de coro grego que percorre o filme e em que vemos grupos de jovens em puro extase de excesso de sexo, drogas e alcool.

O filme tem um James Franco quase irreconhecível, mas as protagonistas são as quatro miúdas: Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Ashley Benson e Rachel Korine (a mulher do realizador). Actrizes muito jovens e bonitas, com uma imagem pública muito clean (uma delas foi apresentadora do Clube Disney), que conseguem dar aos papéis que representam uma energia e uma leveza que são muito eficazes e que, no fundo, são a substância do próprio filme, o que lhe dá sentido e fascínio. Assim tipo como ver um belíssimo Porsche Carrera, novo e brilhante, dirigindo-se vertiginosa e desenfreadamente em direcção a um muro de betão.
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