May 10th, 2013

rosas

london triptych

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Estou a ler um livro filhadaputa. Já estava com saudades de ler um livro gay, um daqueles livros que, atrever-me-ia a dizer, um tipo tem de ser homem e gostar de outros homens, para entrar completamente no livro e absorvê-lo inteiramente. O último com que isto me tinha acontecido tinha sido com a biografia do Sam Steward, Secret Historian, do Justin Spring.

Um dia destes, duas ou três referências cruzadas na net, e a possibilidade de fazer o download de amostras de livros para o kindle, levaram-me a London Triptych, da autoria do inglês Jonathan Kemp. Ainda nem sequer vou a meio, mas estou a gostar bastante do livro. Passado, como é óbvio, em Londres, reune três histórias, que vão sendo contadas alternadamente, e que andam à volta de rent boys e do submundo do sexo pago. As histórias passam-se em épocas distintas, cobrindo um arco de um século: uma das histórias passa-se nos anos 90 do século XIX (Oscar Wilde é uma das personagens que cruza esta narrativa), a outra nos anos 1950, a década de chumbo da repressão da homossexualidade em Inglaterra, e a terceira nos anos 80 e 90 do século XX, em plena euforia hedonistica das drogas e da club scene londrina.

A primeira marca distintiva do livro é dar voz a quem geralmente não é ouvido, muitas vezes porque não chega vivo a uma fase da vida em que se pode falar do passado; a outra é uma escrita soberba, sem falhas, que leva o leitor pela mão através dos relatos na primeira pessoa.

Eu sei que não há literatura gay, e que os livros não se devem aprisionar dentro de rótulos e categorias e patati-patata, mas que se lixe!, isto é literatura homossexual da melhor que há, e é quase um privilègio um tipo ser gay para ler este livro como se ele tivesse sido escrito para si.