May 9th, 2013

rosas

trance (3*)

Fui no fim de semana passado ver Trance, o mais recente filme do Danny Boyle. Não vi muitos filmes do realizador, mas os que vi partilham sempre uma mise-en-scéne muito eficaz, capaz de trazer o espectador, não diria tanto para o cerne da intriga, mas para o próprio tecido da narrativa. Somos absorvidos, não tanto pela história, mas pela maneira encantatória, quase hipnótica, como ela nos é contada.

Eu por princípio acho que o que faz a força da narrativa é tanto a história que nos contam como a maneira como ela nos é contada. Não sobreponho o conteúdo á forma, não acho que a superfície se deva sacrificar á profundidade, pelo contrário, acho que é sempre pela forma, pela superfície, que qualquer história nos agarra. O problema é quando há um excesso de formalismo, e corremos o risco de nos apercebermos que para além do encantamento superficial, pouco mais resta de substancial.

E esse risco é grande quando nos apercebemos dos mecanismos, das técnicas, até dos truques, que o contador de histórias utiliza para nos seduzir e prender. Acho que é esse um pouco o problema deste filme do Danny Boyle. Às tantas já dominamos a linguagem do autor, começamos a perceber as técnicas que ele utiliza para nos fascinar e quando isso acontece as coisas perdem um bocado o interesse.

Este Trance mostra de facto a máquina Danny Boyle a funcionar de maneira muito afinada. O ponto é que isso acontece para o melhor, porque nos diverte, como para o pior, quando começamos a identificar os alinhavos da coisa.
rosas

hits from the eighties

Um dia destes estava a almoçar na cantina e um colega meu perguntou-me quais eram, na minha opinião, os maiores hits dos anos 90. Acho que a ideia era organizar uma daquelas coisas que agora se fazem nos casamentos, e aparentemente os noivos viveram os anos da sua melhor juventude na década de noventa.

Claro que estas coisas só funcionam quando as coisas nos vêm automaticamente à cabeça, sem grande esforço, e muito menos com pesquisas na net e googles e wikipedias. Um pouco embaraçosamente tive de admitir que só me lembrava de duas canções: Smells Like Teen Spirit, dos Nirvana, e Mysterious Ways, dos U2, ambas de 1991.

Mas acto imediato me vieram à cabeça as quatro canções que eu escolheria para os maiores hits dos anos 80! O que prova, é claro, que eu sou um verdadeiro boy from the eighties; apesar de um curso de direito, de uma primeira experiencia laboral e de um cancro, há-de ter sido essa a década em que mais me diverti. Pelo menos a dançar:

- Soft Cell - Tainted Love (1981)
- Talking Heads - Road To Nowhere (1985)
- Eurythmics - Must Be Talking To An Angel (1985), que, é claro, leva todos os meus pensamentos para o saudoso Saint-Clair, que adorava a Annie Lennox.
- Peter Gabriel - Sledgehammer (1986)