April 23rd, 2013

rosas

taprobana, ida e volta. 12/12

1.4.2013 (segunda-feira)
No aeroporto do Dubai, a fazer escala para Lisboa.

Ontem à noite, na estrada de ligação de Kalutara para Colombo, quando íamos para o aeroporto, o relógio do autocarro a marcar as 23,30. e eu a ouvir no mp3 Graceland, do disco do mesmo nome, de Paul Simon. Gosto muito destas disjunções, o encontro de planos improváveis, de mundos aparentemente dissonantes, mas que de repente parecem fazer sentido.

E depois há sempre “Losing love is like a window to your heart, everybody sees you’re blown apart, everybody hears the wind blow”.

Entretanto, no último dia de férias no Sri Lanka, terminei a leitura de Austerlitz, de W.G. Sebald, que adorei. Outro caso de dessintonia - estar de férias num resort tropical, a ler sobre a devastação da alma humana provocada pelo horror da máquina nazi. E comecei a ler Vento Sudoeste, mais um policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, uma oferta do Bruno, que veio, desta forma, comigo fazer esta viagem.

DSC06858
rosas

ensaios de amor

ensaios

Terminei a leitura de Ensaios de Amor, mais um livro do Alain de Botton. Por acaso nem é bem mais um livro dele, uma vez que se trata do primeiro que publicou, em 1993, ainda antes de se tornar um autor best-seller com os seus livros de “auto-ajuda para intelectuais” (estou a ser irónico, sou fã do AdB e dos seus livros).

O livro apresenta-se como um romance, mas é, claro, um falso romance. O pretexto de uma ligação amorosa entre o narrador e o objecto da sua afeição serve apenas para o autor elaborar as suas teorias acerca do amor e do seu papel nos indivíduos das sociedades ocidentais contemporâneas.

Para além de estar cheio de boas ideias, o livro é em si uma boa ideia, e um excelente prenúncio do que seriam as obras posteriores de de Botton, da sua capacidade de discorrer sobre os grandes temas com grande facilidade de expressão, e de pegar neles sempre sob uma perspectiva intrigante e muito divertida.