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taprobana, ida e volta. 11/12
rosas
innersmile
31.3.2013 (domingo)
Ao longo da praia de Kalutara há um homem que, duas vezes por dia, às seis da manhã e às seis da tarde, trepa às palmeiras que bordejam a linha da praia, e, atravessando o ar através de cordas esticadas de palmeira em palmeira, vai sangrando os ramos das palmeiras para recolher óleo de palma. Ponho-me, como os outros turistas, a fotografar o seu quase voo lá nas alturas, marcando a sua silhueta em contra-luz recortado no céu azul. Quando desce e passa por mim, cumprimenta-me com um aceno da cabeça. Sinto-me ridículamente inútil, ao pé de alguém que domina assim os ares.

No hotel onde estou, está igualmente alojada uma equipa australiana de cricket muito juvenil. À tarde, treinam com afinco ao fundo do relvado e, no final do treino, transferem a algazarra em brincadeiras na piscina. Tudo isto alimenta esta sensação de estranheza, de que estou fora da minha vida, mero figurante num filme alheio.

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los amantes pasajeros (4*)
rosas
innersmile
Los Amantes Pasajeros, o mais recente filme de Almodóvar, tem a caracteristica de ser, se não o primeiro, pelo menos o primeiro em muito tempo, filme do realizador a situar-se claramente, dentro daquilo a que poderemos chamar de cinema gay. Trata-se de uma comédia, e de uma comédia gay.

E talvez os grandes problemas do filme residam nesses dois aspectos. Ao contrário do que possa parecer numa primeira análise, Almodóvar não passou a carreira a fazer comédias, mas sim melodramas. Melodramas divertidos, irónicos, com um pé no absurdo e outro na subversão, mas verdadeiros filmes de género, e esse género era o melodrama. Era a escrever melodramas, a desenvolver personagens e a criar histórias sobre sentimentos e o modo como somos submersos por eles, que Almodóvar tinha mão segura. Ao por de lado o melodrama e apostar exclusivamente na comédia, Almodóvar traça personagens débeis, sem espessura e psicologia, pouco mais do que caricaturas, e cria situações que nunca chegam a instalar qualquer tensão.

O fio condutor do filme é um trio de aeromoços muito mariconas, que dão assistência à cabine da primeira classe, onde se desenrolam as peripécias do filme. Apesar de serem absolutamente irresistíveis (e o Javier Camara ser, como sempre, um actor fabuloso), pouco mais são do que um número de cabaret, esgotam-se na função de MCs e nunca têm a dimensão, por exemplo, e só para comparar com outro MC famoso do cinema, do compere de Joel Grey no filme Cabaret.

Apenas a Cecilia Roth, no papel de Norma, consegue dar alguma espessura e tensão à sua personagem, fazendo com que o espectador se interesse verdadeiramente por ela, e nem sequer a adorável Lola Dueñas consegue passar de um mero esboço de personagem.

Em suma, um Almodóvar em baixo de forma, com pouca garra, num filme que parece demasiado esforçado para resultar bem.
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