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taprobana, ida e volta. 9/12
rosas
innersmile
29.3.2013 (sexta-feira)
Chegámos a Katulara, para dois dias de praia, a cerca de meia centena de quilómetros a sul de Colombo. Saímos de Nuwara Eliya às 8 da manhã, e chegámos aqui às 19,30, já de noite: praticamente 12 horas para fazer um percurso de 170 ou 180 quilómetros! Claro que houve algumas paragens pelo caminho, mas no Sri Lanka cada quilómetro da estrada é conquistado com esforço e sobretudo com tempo. Atravessar os arredores de Colombo (entre eles a cidade de Kotte, uma das primeiras localidades onde os portugueses estiveram, no século XVI), na sexta-feira santa foi uma aventura. Os pátios das igrejas católicas católicas, onde se celebravam missas campais, cheios de fiéis vestidos de branco, a transbordarem literalmente para os passeios e para as faixas de rodagem das ruas.

Gostei muito das horas que passei lá em cima, na terra do chá, apesar de me sentir ofegante por fazer o mínimo esforço. Mais uma vez fui transportado para uma viagem que fiz, em criança, com os meus pais e um casal amigo, de carro, ao Gurué, as montanhas no noroeste de Moçambique onde se plantava o chá. Aqui, as pequenas cidades que fomos atravessando, pareceram-me um pouco incaracterísticas, e não particularmente bonitas. Nuwara Eliya deu-me a ideia de ser duas cidades distintas, talvez por causa da influência britânica, que, de todo o modo, nalguns casos me pareceu mais caricatural do que genuína.

Aproveitei as horas de autocarro para pensar na história de Araliya. Sei que começa com um pai a levar um filho de onze anos à estação de comboios branca e baixa de Kandy, para ele ir para Colombo estudar numa escola de budismo, para se tornar monge.

Tenho lido pouco o livro do Sebald. Só à noite, e poucas páginas, pois tenho muito sono e adormeço depressa (e bem). Mas é curioso lê-lo aqui no Sri Lanka, rodeado de confusão e barulho, que não tem nada a ver com o tom (e o tema) completamente europeu do livro.

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o complexo de jesus
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innersmile
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"Se há algum benefício a retirar da agonia, será talvez a faculdade de alguns sofredores considerarem a sua infelicidade uma prova (se bem que preversa) de que são especiais. Por que outro motivo teriam sido escolhidos para vítimas de tão titânico tormento, se não o de mostrar que são diferentes e portanto presumivelmente melhores do que aqueles que não sofrem?"

- Alain de Botton, ENSAIOS DE AMOR (Dom Quixote)