April 15th, 2013

rosas

taprobana, ida e volta. 4/12

24.3.2013 (domingo)
No hotel Heritance, nas margens do lago Kandalama, nos arredores de Dambulla.

As estrelas do dia foram a ida a Pinnawala, visitar o orfanato de elefantes, e, em Dambulla, visitar o templo dourado e as grutas.

Sobre Pinnawala os sentimentos são um pouco contraditórios: por um lado é meritória a acção de proteger elefantes abandonados ou feridos, disponibilizando-os ao deleite dos visitantes, e com isso garantir o financiamento do orfanato; mas por outro é inegável que há um lado circense, que é um pouco suspeito. De qualquer forma foi uma experiência divertida, com o seu quê de maravilhamento infantil: estive ‘horas’ a ver os elefantes, uns 20 ou 30, a tomar banho no rio e nas brincadeiras uns com os outros, e pela primeira vez na vida fiz festas na tromba de um efelante (é fofinha!)

À tarde a ida ao templo de Dambulla (uma dagoba imensa junto a uma mangueira enorme, o templo dourado, e um conjunto de templos construídos em grutas na encosta do rochedo) foi um fiasco para mim. Comecei a subir as escadarias para os templos nas grutas, e fiquei tão cansado, com o coração a bater tanto nos ouvidos, que para aí a um terço da subida, dei meia volta e tornei a descer. Esperei cá baixo pelo resto dos meus companheiros de viagem, e entretive-me com o movimento dos monges, dos peregrinos e dos outros turistas. É engraçado, mas como estava sozinho e sentado no lancil do canteiro em volta da mangueira, houve algumas pessoas a meter conversa. Também descobri que nos terrenos do templo funcionam os estúdios da rádio Rangiri, uma das emissoras que se dedica à difusão do budismo.

O hotel onde estou instalado é fabuloso, no meio da selva, completamente diluído na paisagem, e o edifício é aberto ao exterior, ou seja, os quartos e certas salas são fechadas, é claro, mas todas as zonas de circulção são abertas. À noite há milhares de insectos por todo o lado, e mesmo à porta do meu quarto há um ninho de andorinhas, e as ditas passam o tempo a piar e a voar rasantes às nossas cabeças. No poliban, cujas paredes exteriores são de vidro, de modo a que estamos a tomar duche com vista para o lago, havia uma osga, que tive de salvar, porque uma das minhas companhieras de quarto recusava-se a tomar banho juntamente com a osga. Ah, e além do ninho das andorinhas, mesmo ao lado da porta do quarto estava um morcego mínusculo a dormir.

Esqueci-me de referir que na sexta-feira, quando andava a passear pelo Dubai Mall, estava cheio de sede e fui comprar uma água a um cafézito. Como não tinha dirams, perguntei pelo preço e se podia pagar em euros, e o tipo disse-me que sim, que podia, mas em notas e que me dava o troco em dirams. Como só tinha notas de vinte euros, e ia sair essa noite, disse-lhe que não fazia muito sentido, e então o rapaz estendeu-me a garrafa assim mesmo. Espero um dia poder retribuir-lhe a generosidade.

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rosas

cirque du soleil

Fui no fim de semana, mais levado do que por vontade própria, diga-se em abono da verdade, ao Pavilhão Atlântico ver o Cirque du Soleil e o espectáculo Michael Jackson The Immortal World Tour. Tinha alguma curiosidade em ver um espectáculo do Cirque du Soleil, e achei que a música do MJ me dava o pretexto para finalmente assistir a um.

Diverti-me, é claro, mas receio que pelo menos este espectáculo não resiste a uma análise um pouco mais exigente. É evidente que o show é muito profissional, e tem um nível de envolvimento tecnológico muito bom, mas, pelo menos na minha opinião, o valor da produção no tocante aos meios serve sobretudo para não ter de fazer um grande investimento no tocante à própria qualidade do circo contemporâneo que se apresenta.

O espectáculo é uma espécie de sucessão de quadros baseados não só nas canções mas nos próprios clips de MJ, facilitando assim a sua apropriação pelo público. As luzes, impressionantes, os fumos, muito bem utilizados, e o som, espectacular, criam a envolvência, e é como se a partir daí não fosse necessário fazer mais esforço. A coreografia ajuda á festa, mas são raros, enfim uma meia dúzia, os momentos em que o circo irrompe para nos surpreender e maravilhar.

Confesso que não fiquei com muita vontade de repetir. Mas por outro lado há um padrão de entretenimento que nunca deixa um espectador ficar em débito, por isso nunca se fica verdadeiramente a perder.