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taprobana, ida e volta. 2/12
rosas
innersmile
23.3.2013 (sábado - 1ª parte)
Já em Sri Lanka, no Hotel Pegasus Reef, que fica nos arredores de Colombo, a norte da cidade, junto ao mar. Não durmo decentemente desde a noite de quarta para quinta-feira (e hoje já é sábado), ainda em Coimbra. O voo de Lisboa para o Dubai saíu às 6 da tarde e chegou às 5,30 (1,30 na hora de Lisboa). Depois, saímos do Dubai já hoje, às 3 da manhã, e chegámos a Colombo às 8,30, hora local. Juntando à falta de sono as diferenças horárias, estou com um jet lag muito razoável, e, acrescentando a mudançabrusca de temperatura, uma cabeça que não sabe muito bem para que lado está voltada.

A estadia no Dubai correu melhor do que estava à espera. Logo à chegada fomos tomar o pequeno almoço num hotel , e andámos a fazer o tour das atracções locais, o que no caso do Dubai significa hotéis e centros comerciais. Parámos à porta do Burl Al Arab, à porta quer dizer, no portão, que a partir daí é zona de acesso restrito (uma noite na Royal Suite pode chegar aos vinte mil dólares); depois parámos no Emirates Mall só para espreitar a Ski Dubai, a pista de ski indoors, fomos à palmeira Jumeirah e à marina, e acabámos o tour na Burj Khalifa, o arranha-céus mais alto do mundo, que subimos até ao 124º andar (o edifício tem mais de 160).

Adoro subir a arranha-céus, a visão de lá de cima cá para baixo tem qualquer coisa de bird’s view. A vista do deck do BK é especial, porque a maior parte do que se vê em redor, é o deserto e o mar. Mas a vista lá de cima confirma duas coisas: que o Dubai é, basicamente, uma auto-estrada rodeada de arranha-céus, e o que o conjunto dos edifícios é espectacular, não só pelas dimensões como também pelas formas e soluções arquitectónicas. Uma vertigem de vidro e aço. Depois tivémos umas horas à solta no Dubai Mall (o maior do Dubai e um dos maiores do mundo), que faz parte do conjunto da BK, e onde além de almoçar, aproveitei para comprar duas t-shirts na Gap; há anos que não entrava numa loja da Gap, que durante uma época era a minha loja de roupa preferida (guardo quase toda a roupa que comprei da marca, mesmo a que já não me serve ou que está gasta para além do ponto da decência).

A seguir fomos para o deserto e fizemos um raid de jipe, que foi uma experiência e tanto. Nunca tinha sentido o gozo de andar a subir e a derrapar pelas dunas, numa condução muito controlada mas que consegue criar a ilusão do desastre iminente. Um festival de adrenalina, melhor, para mim que não sou dado a desportos radicais, do que andar na montanha russa. A tarde acabou, já de noite, a jantar num acampamento à luz das estrelas (ok, e dos holofotes também).

Como disse, gostei de ter ido ao Dubai. É um lugar muito irreal, resultado da riqueza desmesurada dos sheiks do petróleo, que não sabem o que hão-de fazer ao dinheiro e constroem cidades só para se entreterem (e, na passada, multiplicarem os seus milhões na especulação imobiliária e financeira). Cruelmente, e apesar do emirado ter menos de 30 anos enquanto cidade, começa a apresentar sinais de decadência: filas e filas e edifícios de escritórios, completamente terminados, mas completamente vazios. Pelos vistos os donos do petróleo estão-se a virar para novos brinquedos, e, segundo me disseram, o Abu Dhabi é o novo Dubai.

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vento sudoeste
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innersmile
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Mais um livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza, com o meu muito dilecto Delegado Espinosa, e mais uma gentileza do meu amigo Bruno, que me tem alimentado a colecção com as belíssimas edições da brasileira Companhia das Letras . Como sempre nos livros do autor, a cidade do Rio de Janeiro é a verdadeira protagonista da história.

Quanto à trama, nota-se neste terceiro volume da série a vontade do autor em se afastar do dispositivo mais clássico do género. Durante parte significativa do livro nem sequer há crime, mas apenas a confissão de um homem que é convencido de está prestes a praticar um assassinato, e que procura a ajuda de Espinosa. Quanto ao desenlace, Garcia-Roza comete o requinte que é dar-nos duas soluções, e deixar-nos a tarefa de, seguindo o raciocínio de Espinosa, escolhermos entre a oficial ou aquela que dita a intuição do delegado.

Mas como sempre, o mais importante é a cidade, como referi, e o próprio ambiente do romance, a reverberação da cidade no mood dos seus habitantes, e a humanidade do seu protagonista, feita em doses iguais de pragmatismo policial e da sensibilidade de quem prefere a literatura à vida real.