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ainda o papa
rosas
innersmile
Ainda a propósito do Papa (com quem simpatizei, pela maneira como se apresentou ao povo de Roma), deste Papa Francisco , cardeal de Buenos Aires, e das polémicas que têm surgido sobre as suas posições sobre as chamadas questões fracturantes (detesto esta expressão, mas assim já se sabe que me refiro a questões como a da homossexualidade ou do aborto, aquilo a que antigamente se chamavam questões morais, ou de consciência), e das suas posições políticas no passado, quero dizer uma coisa, em particular em relação a duas das questões que mais me interessam pessoalmente: a de que ele é homofóbico, porque foi um dos principais lideres do movimento que se opôs ao reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que não obstante foi aprovado e tornou a Argentina o primeiro (e até agora único) país latino-americano a reconhecê-lo; e em relação às dúvidas sobre o seu posicionamento durante o violento período da ditadura militar.

No que toca às suas posições sobre a homossexualidade e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, confesso que não me choca, e não me choca porque não me surpreende, não estaria, com toda a franqueza, à espera de outra coisa. A igreja precisa da solidez dos preconceitos, sobretudo porque tem medo, não sei se fundada ou infundadamente, de que se abandonar esses esteios de poder, isso signifique a sua ruína.

Mas se sou muito complacente em relação às falhas dos outros que são fundadas na ignorância, já não tenho complacência nenhuma quando essas falhas se fundam na inteligência, ou seja quando as pessoas assumem determinadas posições, não porque são vítimas da sua própria incapacidade de perceber os outros, mas porque fazem uma leitura das situações, com manha ou ardil, de modo a revertê-las em seu proveito.

E na questão do eventual apoio à ditadura militar, ou mesmo apenas na sua tolerância, acho que não deve ficar pedra por levantar: precisamos de saber, e com urgência, se alguma vez Francisco, ou melhor, se alguma vez Bergoglio foi clemente com uma das mais atrozes ditaduras que o mundo contemporâneo conheceu, e com os inomináveis horrores que ela cometeu.
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