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o limerick do peixinho prata
rosas
innersmile
E pronto, este é o último de uma série de limericks que fiz de rajada. Foi feito durante uma reunião de serviço para a colega que estava sentada à minha frente. Claro que no fim lho li, ela riu-se e tal, mas pareceu-me que não achou grande piada. Pudera, não é?


Não há em Coimbra assim tantas damas
Que sejam mais belas e com melhores mamas
Seu colo é um mar
Que eu quero nadar
Qual peixe de prata, de brilhantes escamas.

eis o mistério da fé
rosas
innersmile
Ao contrário daquelas pessoas que acreditam em deus e que dizem que não precisam da religião para se comunicarem com ele, eu acho que acredito mais nas religiões do que em deus. Não consigo conceber uma entidade transcendente, imaterial, só acredito na matéria, na célula e no átomo, e sinto que deus foi criado pelo homem para o ajudar a encarar a sua finitude e o medo que ela lhe causa. Ao contrário, as religiões unem os homens, estruturam-lhes a existência, dão-lhes sentido à vida, na medida em que lhes fornecem uma espécie de road book acerca de como devem conduzir as suas vidas e como se devem ligar às vidas dos outros.

Admito que ler Religião Para Ateus, do Alan De Botton me fez repensar a minha ideia acerca das religiões, e admito também que na maior parte dos dias acho que as religiões são nefastas porque são o mais poderoso cárcere do homem, a sua prisão interior, a esfera de ferro que lhes tolhe a liberdade do voo. Mas também percebo que a liberdade total (a de estarmos sozinhos, sem um deus que nos criou e que nos protege) deve ser aterrorizante e que se calhar o homem precisa desta prisão para fugir à angústia do absoluto.

Uma das coisas que me maravilham nas religiões, para além dos rituais, que são o que eu mais gosto, é o poder do mistério, a maneira como as pessoas religiosas aceitam e aprendem a viver com o mistério, e até delegam no mistério uma parte razoável do seu poder, e do seu direito, de auto-determinação.

Na quarta-feira, quando saí do serviço e desci à garagem, pus o carro a trabalhar e percebi pelas notícias da rádio que já havia um Papa eleito. Vim directo para casa, e ainda tive de esperar um bocado em frente à televisão à espera que o Papa aparecesse para, dessa maneira, podermos ficar a saber quem ele era. E tocou-me com muita força, com a força de um mistério, e sabemos como são sempre poderosas as coisas que não compreendemos, tocou-me com muita força aquela circunstância de estarem na praça do Vaticano milhares e milhares de pessoas (sem contar com os milhões em frente às televisões) que na verdade já amavam o Papa sem ainda saberem quem ele era, e que estavam ali com o único propósito de mostrar isso mesmo, que o amavam. Isto de amarmos alguém que não conhecemos, de amarmos alguém apenas porque sabemos que amá-la nos faz bem, pareceu-me uma ideia lindíssima, e teve tanto impacto em mim que sinto que me pôs a pensar com benevolência em relação à religião católica, o que já não acontecia há muito tempo (mesmo muito!)