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side effects (5*)
rosas
innersmile
O Steven Soderbergh é um dos meus realizadores favoritos, e tem a vantagem de fazer muitos filmes. Claro, o lado mau é que os filmes são um bocado desequilibrados, há filmes muito beon, e outros menos bem sucedidos. Mas é sempre, mesmo quando falha, um realizador interessante, porque investe muito numa narrativa estritamente cinematográfica, e porque, como faz muitos filmes, tem uma mão muito segura, é sempre um realizador que sabe o que quer da camara, e isso dá aos seus filmes desenvoltura e fibra.
Entretanto, não conseguiu estrear no cinema o seu mais recente filme, Behind the Candelabra, sobre o o pianista Liberace, que os distribuidores consideraram ser demasiado gay, desgostou-se com a indústria e agora diz que vai deixar de filmar ou pelo menos tirar umas longas férias do cinema.

Por isso é bom aproveitar a estreia do seu penúltimo filme, Side Effects, que tem a vantagem de ser um dos melhores que fez nos últimos tempos. Trata-se de um thriller que conta a história de um psiquiatra e de uma sua doente depressiva, e dos efeitos secundários da sua medicação. Não posso dizer mais nada, para não estragar o gozo de assistir ao filme. Não é que seja um daqueles filmes cheios de surpresas, quer dizer, até é, mas as voltas da história nunca são do género de apanhar o espectador desprevenido no último momento. As evoluções, por vezes surpreendentes da história são sempre muito bem cosidas, há uma lógica narrativa muito coerente, e tudo faz sentido e encaixa.

Como sempre acontece nos filmes de Soderbergh, há um lado muito político, e que neste filme passa pela indústria farmacêutica, uma das mais poderosas do mundo, e pelo negócio milionário dos medicamentos anti-depressivos. Soderbergh funda sempre os seus filmes numa certa análise ao lado negro do capitalismo, e à forma como ele trucida os indivíduos.

Mas o filme não é propriamente um thriller político, nem um thiller médico, é mesmo uma daquelas boas histórias à maneira antiga, em que há um crime, e onde nem tudo o que parece, é. E que Soderbergh filma exemplarmente, com segurança e desenvoltura, com atenção aos detalhes e com trabalho de camara, e com uma quarteto de actores excelente: o Jude Law e a Rooney Mara (repousa no seu trabalho muito do sortilégio do filme e do seu mistério), a Catherine Zeta-Jones, que eu adoro, e o Channing Tatum, no seu segundo filme com o realizador depois de ter sido um male stripper em Magic Night.
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