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correntes
rosas
innersmile
Fui no Sábado à Póvoa de Varzim e aproveitei o facto de ter chegado cedinho para assistir à sessão da manhã de mais uma edição do festival Correntes de Escritas. Nunca lá tinha ido, e confesso que não me sentia muito entusiasmado, desconfio um bocado destes eventos: os escritores normalmente (et pour cause, certamente) têm egos um bocadito inchados, e um festival de vaidades é coisa que não me seduz, tanto mais que a densidade e a luminosidade dos egos alheios tem sempre o condão de fazer encolher o meu. Wrong, Miguel! Gostei muito, ainda bem que fui, e quero muito voltar em futuras edições.

Assisti a uma mesa com o tema ‘Os Meus textos Não Têm Serventia’, moderada por Onésimo Teotónio Pereira, e onde participaram Andrea Del Fuego, Cristina Carvalho, Jaime Rocha, João Tordo, Joel Neto e Possidónio Cachapa. Gostei bastante de todas as intervenções, mas tenho de realçar, numa nota estritamente pessoal, e que não tem nada a ver com a valia dos autores ou dos textos que leram, as de Jaime Rocha, pelo festival de pequenas histórias, quase insignificantes, mas às quais o autor conseguiu dar uma enorme riqueza humana; a do Joel Neto, pela sua simplicidade e por ser uma declaração de amor ao Açores; e do Possidónio Cachapa, que achei um exercício de auto-exposição de uma candura desarmante.

No fim da sessão, senti-me verdadeiramente no Olimpo, a passear-me, e a olhar timida mas intensamente, pelo meio de alguns escritores de quem conheço relativamente bem a obra e de que gosto bastante (vidé, por todos, o Helder Macedo: vi-o fugazmente, de fugida, e através de um vidro baço, mas gosto tanto dele que foi como se tivesse assistido a uma lecture no King’s College de Londres).
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oscars 2013
rosas
innersmile
Estive quase a não ver os Oscar (seria a primeira vez em muitos anos) mas acordei mesmo a tempo do início da cerimónia. E ainda bem, porque achei um belo espectáculo, pelo menos estive sempre muito entretido, e não adormeci mais nenhuma vez até às cinco da manhã.

O apresentador deste ano, o Seth McFarlane (gostei das piadas secas, e do facto de saber cantar e dançar com elegância), ao apresentar o cast de Chicago para a entrega dos oscars referentes à música, disse qualquer coisa do género ‘e como se esta noite não estivesse gay o suficiente...’ E realmente foi uma noite muito gay, mas gay à antiga, versão ‘odeio bichas modernas’ do Monchique: o William Shatner no segmento de abertura, a Dame Shirley Bassey a ensinar à Adele o que é que é preciso para se cantar uma Bond song (mesmo que a voz já não seja o que foi), e La Streisand, herself, a cantar The Way We Were, do Marvin Hamlisch, no final do segmento In Memoriam. Como se não bastasse, o tema da noite era a celebração dos musicais, e até houve um momento The Sound of Music, a chamar ao palco a classe do Christopher Plummer, que, recordêmo-lo, ganhou um oscar o ano passado a fazer o papel de um velho homossexual. Ou seja, was it gay or was it gay?

Ah, e os prémios? Com proverbial falta de pontaria, vi quase todos os filmes nomeados, menos os que tiveram mais prémios, The Life of Pi e o Les Miserables. Os oscars não têm uma lógica de mérito ou merecimento (para isso há os oscars honorários), mas o prémio que fez mais sentido na noite inteira foi o do Tarantino: não há ninguém hoje em dia, em Hollywood, a escrever tão bem e com tanta originalidade como ele. Ainda nessa lógica não vale a pena falar em injustiças, o colectivo que vota nos prémios é demasiado sem rosto para isso, mas teria sido maravilhoso que a Emmanuelle Rivas tivesse vencido na categoria de melhor actriz: daria brilho aos próprios Oscars distinguir, se não a melhor, definitivamente a mais especial e única das nomeações da noite.


(E espero que a participação da Michelle Obama não dê ideias à Maria Cavaco Silva, senão um destes dias lá apanhamos com ela em directo do Palácio de Belém a entregar os Globos de Ouro, rodeada pelos netos e com a fotografia do Papa em fundo.)
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