February 19th, 2013

rosas

quase

Hoje de manhã, quando abri o feed do google reader, havia 24 posts à espera de serem lidos. Três desses posts, dois seguidos e um intercalado, tinham os seguintes títulos: Quase Diário; Diário; e Diaries by George Orwell. Que interesse é que isto tem? Precisamente.
rosas

the master (4*)

Gosto bastante dos filmes do Paul Thomas Anderson. Acho sempre que eles são muito essenciais, que abordam aspectos muito determinantes da nossa civilização, das fundações que dão suporte e estrutura à nossa vida em sociedade contemporânea. E sempre, ou quase sempre, de um modo terrível, chamando a atenção para que aquilo que nos dá solidez é também aquilo que nos preverte.

Em The Master, mais uma vez, há essa sensação de que há qualquer coisa de estruturante e amaldiçoado na história de um veterano da Segunda Grande Guerra cuja deriva a seguir ao termo do conflito, leva até ao fundador de um grupo filosófico, ou de uma seita consoante a perspectiva, que se torna seu mentor.

Além disso há um contraste que torna o filme mais inquietante: a personagem com que mais nos identificamos, cuja leitura nos estaria mais próxima, digamos assim, a de Freddie, é muito esquiva e fugidia; pelo contrário, a de Dodd, é uma personagem de mais fácil leitura, apesar de ser aquela que de facto não compreendemos, pois verdadeiramente nunca chegamos a estabelecer a honestidade da sua filosofia. Esta dualidade aumenta o desconforto do filme, pois nunca conseguimos encontrar uma base suficientemente sólida a partir da qual seja cómodo ler o filme.

Claro que o Philip Seymour Hoffman e o Joaquin Phoenix dão um show de interpretação, sobretudo o primeiro, na minha opinião. Mas é preciso chamar ainda a atenção para a banda sonora, da autoria de Jonny Greenwood, dos Radiohead, e que já tinha assinado a BS do anterior filme de Anderson, There Will Be Blood.