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broadway baby
rosas
innersmile
Fui ontem à noite ao Cine-Teatro de Estarreja ver Broadway Baby, uma história do musical norte-americano levada à cena pelo Henrique Feist, com acompanhamento ao piano do seu irmão Nuno. A peça revisita, em cerca de uma hora e trinta, grandes canções e grandes momentos que fizeram a glória do teatro musical na Broadway, e eu adorei!

Claro que ajuda eu gostar muito de musicais, de ter visto, ao vivo ou no cinema, muitos dos grandes musicais em causa, e conhecer acho que todas as canções que foram interpretadas. Mas, mais do que isso, está um espectáculo com muito ritmo, com um fio condutor, ainda que mínimo, que dá estrutura à peça e evita que ela seja um mero desfilar de canções, com sentido de encenação e coreografia, e com um conjunto de adereços e figurinos muito eficaz e sobretudo muito bem produzido.

Mas é claro que o principal trunfo do espectáculo é o próprio Henrique Feist e, com menor visibilidade mas com a mesma importância, o Nuno Feist. Já todos sabemos (sobretudo aqueles que nos lembramos da presença dos irmãos Feist, ainda crianças, nos programas de TV do Júlio Isidro, nos anos 80) da vocação, mais até do que do simples gosto, dos irmãos pelo musical de marca londrina e nova-iorquina. E este Broadway Baby é, de certo modo, a consagração dessa vocação, justificação e ao mesmo tempo profissão de fé nas virtudes teatrais desse tipo de espectáculo por parte de quem passou uma vida (neste caso, na dupla acepção de vida artistica mas também de vida pessoal) a insistir nele, num meio, o português, onde a tradição do teatro musical não passa propriamente por este tipo de teatro musicado.

O Henrique Feist, mais do que um artista talentoso, é alguém que conhece muito bem as regras daquilo que faz e sobretudo que está muito bem preparado para o fazer. Não sendo um cantor extraordinário, sabe todavia como se canta uma showtune em cima de um palco. E sabe dançar e sabe criar personagens só com um simples adereço, domina a expressão corporal necessária para ‘vestir’ uma personagem, e tem uma empatia que, não sendo exactamente um caso de simpatia pessoal, é a marca de um artista de variedades quando se encontra sozinho num palco em frente à plateia às escuras. Ou seja, o Henrique Feist prova que não basta gostar muito do teatro musical; é preciso ser-se de um profissionalismo irrepreensível.

On a side note, foi uma noite engraçada. A zona do centro da cidade estava ainda ocupada pelos restos do corso carnavalesco que estava a acabar (tinha sido adiado para ontem por causa do mau tempo no dia de carnaval), o que criava um certo ambiente felliniano, versão Otto e Mezzo; o centro de Estarreja, por onde eu não passava há muitos anos e sempre a atravessar de carro, é bonito, e merece uma visita mais demorada, de preferência com luz do sol; o Cine-Teatro de Estarreja tem uma excelente programação, que merece ser seguida atentamente, e tem uma sala muito simpática e confortável; finalmente, jantámos muito bem, num restaurante na Av. Visconde Salreu chamado Cozinha da Terra, que tem uns grelhados óptimos.
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