February 11th, 2013

rosas

hitchcock (4*)

Hitchcock, realizado por Sacha Gervasi, tem demasiadas coisas más para ser um bom filme, a começar pela tentativa de ‘psicologizar’, com muito pouca subtilieza, a personagem de Alfred Hitchcock, descobrindo-lhe perversidades pseudo-freudianas como pano de fundo para as suas escolhas cinematográficas e para a proverbial lenda de que maltratava as suas belas e loiras actrizes; e a acabar no trabalho de Anthony Hopkins, notável a inventariar os tiques e os gestos de Alfred, mas que nunca consegue afastar a impressão de ser um mero robot protésico. Pelo meio, sobretudo, a ideia de que o filme, entre a verdade e a lenda, opta por inventar por conta própria, partindo do pressuposto de que é do mito que se alimenta a popularidade sempre actual dos filmes de Hitchcock.

E no entanto devo dizer que me diverti muito durante a projecção, que adorei aquela hora e meia de convívio com aquilo a que poderemos apelidar de ‘hitchcockorama’. Adorei a Alma Reville da Helen Mirren, porque nunca soa a falso (ao contrário da leitura que o filme faz da relação entre o casal, que soa a enredo de novela). Adorei a maneira como o filme revisita as anedotas e as pequenas histórias, e como o argumento integra algumas das citações famosas do realizador. E também gostei muito das histórias que o filme desenvolve, e que não sei se são factuais ou não, acerca das opções de Hitchcock em relação ao Psycho, porque de algum modo essas histórias devolvem-nos a visão criativa do realizador.

Eu ia acabar a dizer que, tudo ponderado, este ainda não é o filme que faz justiça à grandeza de cineasta do realizador. Mas pensando bem, acho que não faz falta nenhuma haver um filme sobre Alfred Hitchcock. Pelo menos, enquanto tivermos os seus filmes, esses sim verdadeiramente indispensáveis, e fontes inesgotáveis de prazer e diversão.