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a muralha invisível
rosas
innersmile
Liv01190101_g

A Muralha Invisível é o sexto livro que leio da série Wallander, da autoria do escritor sueco Henning Mankell. Não sendo o meu preferido, este romance oferece-nos aquilo que já conhecemos e podemos esperar dos livros deste autor: narrativas muito atmosféricas, personagens muito verosímeis, tramas muito bem urdidas e aparentemente irresolúveis, um fundo social e político, soft mas suficiente para dar espessura ao romance.

Desta vez o inspector da polícia de investigação criminal de Ystad tem de enfrentar uma conspiração informática que hoje parece uma situação mais comum, mas que à data em que o livro foi escrito (1998) ainda era um pouco cenário de ficção científica. Talvez tenha sido este facto de hoje lidarmos com alguma banalidade com os crimes informáticos, que me fez quebrar um pouco o interesse na parte final do romance. Gostei bastante da primeira parte do livro, quando as coisas se estavam a estabelecer, e depois achei menos interessante a segunda parte, quando se estavam a resolver.

Mas, claro, o livro é bom ‘throughout’. Há uma melancolia nestes livros do Wallander, que eu diria nórdica mas não posso, porque não conheço os países nórdicos para saber como é; mas é uma coisa cinzenta, pesada, plúmbea, um mal-estar que tem sobretudo a ver com a própria psicologia do inspector, e com a violência, sempre ali entre o horror e o absurdo, dos crimes que ele tem de resolver. Essa melancolia dá um carácter muito humano às histórias, que serve de contraponto com a acção e o suspense próprios dos romances policiais.