January 24th, 2013

rosas

bluebottle

Estava a ler uma entrada do blog do David Byrne, feita em Sidney, no dia 18 de janeiro (link) e retive este parágrafo:

”Then we went for a brief swim. We had just come out of the water when the lifeguard made two announcements. One advised to be careful of the rip currents. He said, “You may be a good swimmer in a pool, but that doesn’t mean you know how to swim in surf.” The second announcement advised that the change in wind was bringing in some Bluebottles (stinging jellyfish) and he went on: “Unless you have a high threshold for pain we suggest you get out of the water immediately.” Not everyone did, but we sure weren’t going back in.”

Já fui mordido por uma alforreca, na praia de Água d’Alto, na ilha de São Miguel, nos Açores, e assevero que é uma experiência muito dolorosa. Quando senti a picadela, que é mais parecida com uma queimadura do que propriamente com uma picada, e depois de perceber que o que quer que me tivesse atacado não me tinha comido, tentei manter a calma, e saí da água. O meu antebraço direito e o meu ombro esquerdo (a picada foi no ombro, mas instintivamente tentei afastar a ameaça com o antebraço) começaram imediatamente a inchar e a ficar vermelho vivo.

Calculei que fosse uma alforreca, mas para ficar mais descansado perguntei a um velhote que estava a grelhar peixe nas traseiras de uma barraca da praia se sabia o que aquilo era e se seria perigoso ao ponto de dever ir ao hospital. O homem disse-me para não me preocupar muito, que era um Água-Viva (que pena, não consigo transcrever foneticamente a expressão com o sotaque cerrado micaelense) e para pôr vinagre (explicaram-e mais tarde que o ph ácido do vinagre compensa a alcalinidade do veneno da alforreca).

Uns anos mais tarde, lembro-me de haver um sinal enorme na praia de Batu Ferringhi, na ilha de Penang, na Malásia, a proibir os banhos de mar porque a água estava infestada de jellyfish. Mal molhei os pés, os vendedores ambulantes vieram ter comigo a chamar-me a atenção para o cartaz e a avisar de que a picada das alforrecas era muito dolorosa e podia ser mortífera.

Mas o ponto aqui é o seguinte: em português, para além de água-viva e de alforreca, também se chamam a estes bichos medusas; em inglês, sempre lhes ouvi chamar jellyfish. Mas neste texto do David Byrne foi a primeira vez que vi chamar as alforrecas pelo nome, em inglês naturalmente, pelo qual sempre as conheci na praia das Chocas da minha infância: as célebres, e infâmes, garrafas-azuis.