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pai
rosas
innersmile
enviaram-me hoje umas fotos que nos tiraram ontem à noite, no lanche de aniversário da mãe. estás muito bem, e a foto em que eu estou melhor, é precisamente aquela em que estamos juntos.

comovi-me muito ontem contigo, e hoje ao ver as fotos voltei a comover-me, ainda que não perceba exatamente porquê. talvez o teu ar sempre muito composto, sereno e alheado, mas ao mesmo tempo com um olhar um pouco ansiado por causa da confusão que por vezes se instalou lá em casa. talvez pelo tom meticuloso com que te levantavas de cada vez que uma das visitas saía, a acompanhavas à porta e te despedias agradecendo a presença, mesmo não fazendo a mínima ideia de quem se tratava. é notável, como a tua memória quase se desvaneceu, mas o teu carácter, a tua educação, permanecem intactas.

confesso-te, sempre foste uma pessoa difícil, castigadora e caprichosa, exigente e pouco tolerante, e a tua condição actual acentua essas caracteristícas e torna por vezes quase infernal o convívio. há emoções com que temos de aprender a lidar, e a de me enfurecer contigo, e perder a paciência, mas ao mesmo tempo sentir por ti uma imensa ternura e compaixão, é uma delas.

e há ocasiões, como a de ontem e muitas outras, em que és carinhoso e mimalho como sempre foste, atento e preocupado, bem humorado e até um pouco galante, e em que tens uma dignidade tão grande e que passa insuspeita a quem te conhece pior. não a mim, é claro.

e em que eu me apercebo, com uma certeza tão cristalina, que ter-te, mesmo desta maneira especial, é uma alegria de que não me canso.