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papéis avulsos
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Papéis Avulsos é uma colectânea de contos de Machado de Assis, publicado originalmente em 1882, e que contém uma das narrativas mais conhecidas do autor, O Alienista, um conto longo ou mesmo uma novela. Li o livro no Kindle, num ficheiro com a obra completa de Machado de Assis, disponivel para download legal e gratuito, mais uma generosa dica do meu Saint-Clair. Se não fosse ele, eu era definitivamente uma pessoa mais pobre.

O Alienista é de facto uma coisa fabulosa, mas toda a colectânea é excelente. Histórias muito diversas, algumas com subtís elos de ligação, com uma grande variedade de temas, de estilos e até de propostas narrativas. Machado de Assis arrisca tudo, e ganha quase sempre; acrescenta um capítulo à Bíblia, e outro à Peregrinação de Fernão Mendes Pinto; vai do realismo mais puro à mais pura fantasia.

Para além da excelência da escrita e do domínio total da narrativa, comum a todos os contos é o humor, irónico ou sarcástico, e a acutilância da observação social da época e do meio. Lê-lo é um prazer absoluto e a leitura desliza naquela prosa com rapidez, leveza e alegria. Apesar de ser apenas o segundo livro que leio do autor (mas com todas as perspectivas de ler muitos mais), não tenho grandes dúvidas que Machado de Assis é um dos maiores escritores de língua portuguesa, e possívelmente um dos dois ou três maiores romancistas do nosso idioma.

Conhecendo melhor a obra de Eça de Queirós, acho que o Machado de Assis lhe é ainda assim superior, se não pela qualidade da escrita, então talvez porque ache o seu olhar mais moderno e actual; é mais fácil, pelo menos para mim, e do pouco que conheço, identificar-me com o narrador de Machado de Assis e esquecer que entre nós há cerca de um século e meio de distância.

(Como li o livro no Kindle, escolhi para ilustrar este texto a foto de uma capa do livro que me pareceu mais descomprometida comercialmente, e mais interessante do ponto de vista histórico)