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on the road
rosas
innersmile
Ok, chegou a hora de confessar uma daquelas coisas que um tipo até tem vergonha de admitir, mas lá vai: eu nunca li o On The Road, do Jack Kerouak! E nem adiante elaborar os porquês da coisa, pronto, ficamos assim. Não sei como é que esta falha influenciou o meu olhar para o filme que o brasileiro Walter Salles fez a partir do livro; de qualquer das maneiras, gostei de ver o filme, apesar de achar que de algum modo ele ficou fora das personagens, da pulsão que as animava. Também não sei se contar hoje aquela história consegue entregar de forma intacta a pureza da sua chama.

Mas o filme, na minha opinião, vale por si, pela história que nos quer contar e pelos impossíveis fascínios que a compõem. Além disso tem um inegável peso cultural, é um filme a não perder por quem gosta de livros e dos seus escritores. E tem actores belíssimos, daqueles que nos levariam para casa no fim do filme, e sobretudo três vozes, mais do que os rostos os corpos que lhe dão matéria, que são irresistíveis, as de Sal, Dean e Bull, que acreditamos serem como que ressonâncias das vozes das pessoas que inspiraram essas personagens.
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anna karenina
rosas
innersmile
Isto de fazerem filmes adaptados dos grandes clássicos da literatura tem este efeito de pôr a descoberto as minhas lacunas: ontem foi o On The Road, hoje o Anna Karenina. Pois, outro que também nunca li, apesar de já o ter descarregado para o meu kindle ao módico preço de 99 cêntimos de dolar.

O filme contém propostas interessantes: a adaptação do clássico de Tolstoi é do dramaturgo Tom Stoppard, o realizador é o Joe Wright, de Atonement e de Orgulho e Preconceito, e, sobretudo, a de tratar o filme como uma representação teatral, utilizando uma sala de teatro como o dispositivo cénico onde decorre toda a acção e todas as cenas se sucedem.

Este truque narrativo é o mais interessante do filme, mas, na minha opinião, não é totalmente conseguido, porque nunca consegue criar a suspensão de incredulidade necessária para conseguir a adesão do espectador. De alguma maneira, a sempre bela Keira Knightley e o Aaron Taylor-Johnson são também um pouco responsáveis por esta falha: um filme que assume o seu artifício, e faz dele o seu motor narrativo, precisava de interpretações mais fortes e arrebatadoras, para, pelas personagens, ganhar aquilo que perde em termos narrativos.
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