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(something stupid)
rosas
innersmile
SOMETHING STUPID

Detesto canções de Natal. Chega novembro, e os centros comerciais são ocupados por alienígenas bárbaros sob a forma de eternas versões dos mesmos canticos de sempre. A parte boa é que ao fim de uns dias o nosso cérebro habitua-se à tortura (não há nada a que o ser humano não se habitue) e como que deixamos de as ouvir. Em momentos de especial fraqueza podemos até ser desagradavelmente surpreendidos a cantarolar em surdina uma dessas atrocidades. Mas este Natal decidi adoptar, como canção oficial, uma que não tem nada a ver com a estação, e muito a ver comigo.

Tudo parecia bem encaminhado, e o calendário do Natal abria as suas janelinhas, uma a uma, para mostrar promessas de uma noite feliz: concertos da madonna, copos até às tantas com os amigos, botões de punho discretos e charmosos, noites a dançar até de manhã, perfumes italianos com anúncios a preto-e-branco, sessões de ginásio, malhas macias de cores suaves e sobretudos charcoal, fins de semana em Madrid, alianças com o padrão grego feitas de encomenda.

Só faltava abrir uma janelinha do calendário, a última, e tudo apontava para uma consoada aconchegada, a dois, com rabanadas e vinho quente. Estava a correr tão bem. O momento parecia o adequado. O teu perfume entontecia-me, a estrela do Natal iluminava o azul profundo da noite.

Foi então que eu estraguei tudo, quando te disse uma estupidez qualquer do tipo: “eu amo-te”.





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Uma versão deste conto, com ligeiríssimas diferenças sobretudo no arranjo dos parágrafos, apareceu no blog good friends are hard to find, com o qual participei num passatempo para contar histórias lgbt sob o tema Pixel | Happy Xmas (as histórias participantes estão agrupadas com um marcador neste link)
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