December 14th, 2012

rosas

preocupo-me, logo existo

Espero que isto não soe muito pretensioso, mas às vezes leio textos antigos aqui do innersmile, e fico admirado porque acho que estão muito bons, bem escritos e bem pensados. Fui ontem ao auditório do Conservatório de Coimbra assistir a ‘Preocupo-me, Logo Existo’, uma peça com textos de Eric Bogosian, com direcção cénica de Natália Luiza e interpretada pelo Diogo Infante.

Eu lembrava-me de que já tinha visto um espectáculo muito parecido, também do Diogo Infante e com textos do Bogosian. Pesquisei nos arquivos do innersmile e encontrei este texto, escrito no dia 23 de Outubro de 2001 (era este diário muito novinho):

Ontem, no Gil Vicente, Sexo, Drogas e Rock'n'Roll, de Eric Bogosian. O Diogo Infante é realmente um actor admirável, que, apesar de ter uma carreira limpa no cinema e na TV, encontra no palco o seu verdadeiro modo de expressão. Segura a peça, controla os personagens e domina o tempo. Do texto confesso que já não gostei assim tanto. Acho-o um bocado datado (mesmo não sabendo exactamente quando foi escrito), localizado e totalmente desprovido de subtileza. Além disso, parece-me que havia (culpa do texto?) um certo mal-entendido entre a peça e a plateia: esta achava que a peça era cómica e agia em conformidade: risos quando não havia motivo para rir, aplausos quando a piada tinha realmente piada!; a peça era, como esperável num texto do EB, não tanto cómica como cínica, ácida e amarga. Claro que num registo de humor, mas há uma certa diferença entre um olhar irónico e mordaz sobre a realidade e os registos tipo 'conversa da treta', que, quer-me parecer, foi mais o que o público leu.

Podia repetir quase tudo o que aqui escrevi a propósito da peça de ontem. E digo quase porque, ao contrário, desta vez gostei bastante dos textos do Eric Bogosian, pelo menos de quase todos (houve dois que achei mais fraquitos). Adorei o monólogo do diabo, e achei fabuloso o texto do último (o que termina precisamente com a frase que dá título ao espectáculo).