?

Log in

No account? Create an account

oscar niemeyer
rosas
innersmile
A morte de Oscar Niemeyer era esperada, pela simples razão de que só a arquitectura é eterna, não os arquitectos. Com o sentido de humor que os compele a brincar sempre com o que mais amam, os brasileiros tinham até um blog chamado ‘Coisas Mais Novas do Que Oscar Niemeyer’, para celebrar a longevidade centenária do seu mais famoso arquitecto.

Claro que eu já conhecia o trabalho de Oscar, praticamente desde a infância, desde os tempos em que eu lia a revista Cruzeiro e não percebia como é que Brasília podia ser uma cidade, no sentido habitável do termo, quando parecia tudo menos as cidades que eu conhecia, caóticas e aconchegantemente burguesas.

Mas o meu amor pela arquitectura de Oscar, e pela própria figura do seu autor, fortaleceu-se muito quando vi, no verão de 2001, uma exposição integral da sua obra que ocorreu no antigo Pavilhão de Portugal, na ex-Expo (há-de ter sido no período pré-innersmile, já que não encontrei evidência por aqui). Tenho um grande desejo de arquitectura, feito de exaltação mas também de um certo fascínio romântico, e essa exposição, tanto quanto me lembro, permitia perceber as linhas ou os volumes, mas também as ideias e as palavras, que sempre nortearam o trabalho do arquitecto.

Há coisas na arquitectura de Oscar que não páram de me maravilhar: a síntese modernista, o predomínio da curva, as superfícies, os pódios, os padrões repetidos. Sobretudo aquilo que me faz gostar tanto da arquitectura: o desejo de se fundir na paisagem e simultaneamente a vontade de a transformar.

Em Portugal temos a felicidade de ter uma obra de Oscar edificada: o Hotel Casino do Funchal, que, no conjunto dos seus três edifícios, é um belíssimo exemplo da arte de Oscar Niemeyer, e um motivo de orgulho do património arquitectónico português.