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achados e perdidos
rosas
innersmile
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Li, sempre sob o alto patrocínio do Bruno Linhares, o ‘meu’ terceiro romance de Luiz Alfredo Garcia-Roza e do seu delegado Espinosa. Achados e Perdidos é, se não estou em erro, o segundo da série, tendo lido já o primeiro, O Silêncio da Chuva, e o quinto, Perseguido, que foi o primeiro que li, e que me arrebatou e tornou fã do autor.

Como já devo ter aqui escrito a propósito dos outros livros de Garcia-Roza, o que me prende em primeiro lugar, para além do sortilégio da própria escrita, é o facto de serem narrativas muito geográficas, em que a cidade do Rio de Janeiro, e o bairro de Copacabana em particular, mais do que personagens do romance, são os fios com que ele se tece.

Dentro dos subgéneros tradicionais da literatura policial, os livros do delegado Espinosa estão mais próximos do whodunnit tradicional, em que a investigação e a dedução jogam um papel importante, e que entronca directamente na génese do próprio policial de Edgar Allan Poe, do que do chamado romance negro. Mas tal como este, os livros de Garcia-Roza são muito ambientais, e é aí, e na própria força da personagem principal, que reside o seu encanto.

Como digo, sou fã, e um fã entusiasmado. Quando comecei a ler este Achados e Perdidos senti assim uma espécie do aconchego típico de um regresso, a casa, ou pelo menos a um lugar que conhecemos e onde nos sentimos bem. Adoro ter este tipo de sentimento em relação a um escritor, quando começamos a sentir uma intimidade, uma familiaridade, com o seu universo narrativo.

jardim de sombras
rosas
innersmile
Foto0619

Por estas manhãs, quando saio de casa, deparo-me com este jardim de sombras, mesmo na parede em frente à porta do meu apartamento. O sol que entra pela janela onde estão os vasos, não é directo, mas reflectido pelas vidraças de outros prédios mais distantes.

Adoro esta imagem matinal, verdadeiro cinema a projectar-se à minha frente ao primeiro momento do dia. E adoro a sua fragilidade, a delicadeza de que é feito este filme, e sobretudo o seu carácter tão efémero: no minuto seguinte a esta foto, as imagens diluem-se lentamente, e a parede fica branca e vazia como o dia à minha frente.
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