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the perks of being a wallflower
rosas
innersmile
Quando estava a ver o The Perks of Being a Wallflower perguntei-me, várias vezes, como raio é que tinha caído na armadilha de ver um filme sobre a adolescência. Não sei como é com a maioria das pessoas, mas para mim a adolescência, a minha em primeiro lugar, é como um país distante, onde estivemos uma vez, de passagem, e acerca do qual conhecemos a língua mas não percebemos uma única palavra do que dizem os seus habitantes.

No entanto, se a experiência de ver o filme é um bocadinho fastidiosa (in a paternalistic kind of way), não deixamos de ser tocados por uma franqueza muito grande. Trata-se de um filme muito puro porque muito verdadeiro. Fui pesquisar e aprendi que The Perks of Being a Wallflower começou por ser um romance, uma história de coming-of-age passada em inícios dos anos 90, que o autor, Stephen Chbosky, decidiu adaptar para cinema, assumindo ele próprio a realização do filme. A história lida com os temas próprios da adolescência: a música, as paixões assolapadas, a timidez, a sexualidade, a introversão, a camaradagem, os fascínios, os amúos, o bullyng, por aí fora.

Para além da sua honestidade, o filme tem outras coisas a seu favor. Um cast muito bom, onde brilha a luz radiante do Ezra Miller e onde a sempre cativante Joan Cusack tem um brevíssimo papel. Uma banda sonora fabulosa, que nos põe literalmente aos saltos na cadeira. Uma certa ‘ambience’ literária, que passa pelas cartas que sustentam narrativamente o filme, mas também pela troca de livros que o professor de inglês pratica com o protagonista.

Em suma, se a adolescência é por si irritante, e nesse aspecto o filme parece mais do mesmo, The Perks of Being a Wallflower (só o título é uma delícia) é no entanto, um filme com o qual é difícil não simpatizar, pela sua franqueza, pelo humor, pelas personagens e seus actores, e, lá está, pela música, que é mesmo muito boa.
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