?

Log in

No account? Create an account

o minotauro em cnossos
rosas
innersmile
DSC01368

MINOTAURO EM CNOSSOS

Os jovens de Creta tinham a cintura
delicada e as ancas arredondadas. O Minotauro
também por eles mugia no Labirinto.
E sabia Ariadne das paixões de Pasifa
que espumou imagens bestiais como o touro que,
como Vénus, desfechou-se do mar.
Mas a arte, os arneses do homem, os signos
refinados de uma vida civilizada
são vossos, cretenses, não os vence a morte.
Mas não há mais ninguém que apunhale
o monstro em Cnossos e no mercado
de Herácleton sujo e confuso do Oriente
nada há mais que se pareça
à Grécia de antes da Grécia.


- Salvatore Quasimodo (tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti) in Poesias, Record


Não conhecia este poeta nem este poema, que encontrei no blog O Melhor Amigo. O poema prendeu-me logo à primeira leitura, e transportou-me para Creta, e para Cnossos, onde tirei, em Agosto de 2007, a foto acima.

Salvatore Quasimodo é um poeta italiano que viveu entre 1901 e 1968, e recebeu o prémio Nobel da literatura em 1959. Há um site na internet que lhe é dedicado, neste endereço: www.salvatore-quasimodo.it. Só pelo gozo da música, aqui fica o texto original do poema, em italiano:

Minotauro a Cnosso

I giovani di Creta avevano vita
sottile e fianchi rotondi. Il Minotauro
mugghiava nel Labirinto anche per loro.
Sapienza, Arianna, dei sensi di Pasifae
che schiumò immagini bestiali col toro
scattato come Venere dal mare.
Ma l'arte, gli arnesi dell'uomo, i segni
raffinati d'una vita civile
sono vostri, cretesi, non c'è morte.
Ma non c'è più nessuno che accoltella
il mostro a Cnosso, e nel mercato
d'Hiràklion confuso e sporco d'Oriente
non c'è nulla che assomigli
alla Grecia di prima della Grecia."