November 9th, 2012

rosas

encontro à beira-rio

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Encontro À Beira-Rio é um romance sobre o encontro entre dois irmãos, ingleses, oriundos da classe média-alta, num mosteiro hindu na margem do Ganges, no momento em que um deles, o mais novo, se prepara para fazer os seus votos de membro de uma ordem religiosa.

Há uns poucos de meses, quando li os diários do Christopher Isherwood referentes aos anos 60, chamaram-me a atenção as entradas relativas à escrita deste livro (são sempre fascinantes, para mim, estes insights para o outro lado dos livros, o lado da mão que os escreveu) . Apesar de o tema me ter despertado a curiosidade, fiquei com a impressão de que não seria uma obra muito fácil, mas a recente edição portuguesa do livro deu-me a oportunidade de constatar que essa impressão era o mais falsa possível.

Adorei o livro. Primeiro porque sou apaixonado pela prosa do Isherwood, pela sua escrita limpa e simples, mas ao mesmo tempo com uma profundidade imensa. É uma escrita que tem uma capacidade muito grande, e sempre surpreendente, de ser verdadeira. Nem sei bem o que quero dizer com isso, mas é uma narrativa que parece nunca se enfeitiçar consigo própria, com a vertigem ou a voragem da ficção, mas permanece sempre muito fiel à verdade que lhe deu origem.

Depois, o tema interessa-me muito. Aliás, os temas, desde logo o do chamamento espiritual, da possibilidade de ascendermos a uma sensação de pleninute através de uma forma ou de uma prática religiosa. Logo eu que sou ateu - graças a deus - e que tenho uma aversão quase sufocante às religiões; mas agrada-me uma coisa que transparece no livro, e que era totalmente evidente nos diários do Isherwood, que é a possibilidade dos ritos, das práticas, nos ajudarem a tornarmo-nos melhores, a ganharmos um estado de bondade (acho que a bondade é a minha preferida das virtudes, e seduz-me muito nas religiões essa vocação da bondade, ainda que abstracta).

Além disso, no cerne do livro está outro tema que me fascina muito, que é a da relação entre irmãos. E o Isherwood, porque é sempre muito verdadeiro, como disse anteriormente, consegue tecer aquela filigrana tão delicada, tão complexa e subtil, que pode ser a relação entre irmãos

Neste momento, fazendo assim contas de cabeça, acho que vou com cinco livros do Christopher Isherwood lidos: dois volumes dos diários, e três romances: Um Homem Singular, Adeus a Berlim e este Encontro Á Beira-Rio. É obra, sobretudo tendo em consideração que os diários são volumes que rondam as mil páginas (para mais, se não me engano, no primeiro volume). E não tardará muito para se juntar um outro, que já está traduzido e publicado pela Quetzal. Não sei se isto chega para o qualificar como um dos meus escritores preferidos, mas mais do que isso, é um dos que mais amo.